11 de julho de 2026
BUSCAS EM BOTUCATU

Operação mira influenciador que pedia dinheiro em troca de bênção

Por Lilian Grasiela | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Polícia Civil/Divulgação
Objetos apreendidos durante o cumprimento do mandado de busca em Botucatu

Botucatu - Um influenciador suspeito de integrar uma organização criminosa que aplicava golpes digitais em diversas regiões do Brasil foi alvo da Polícia Civil, nesta quinta-feira (30), em Botucatu (100 quilômetros de Bauru), como parte da operação "Falso Profeta 3", que foi coordenada pela Polícia Civil do Distrito Federal, com mandados de busca cumpridos em cidades de vários estados brasileiros.

Policiais civis da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) cumpriram mandado de busca no apartamento de R.J.S.J., investigado por suspeita de aplicar golpes financeiros a partir de canais no Youtube, e apreenderam diversos documentos, computadores, tablets e pen drive utilizados na execução do crime.

"Ele reside nesta cidade de Botucatu/SP há questão de um ano, oriundo da cidade de Santos/SP, e é considerado um dos mais influentes youtubers a serviço da organização criminosa", informou a Polícia Civil, em nota. Após a apresentação do suspeito na sede da DIG, ele ficou à disposição da Justiça.

O golpe

Utilizando da fé alheia, o grupo convencia fieis a investirem dinheiro com a promessa de um grande retorno financeiro, dizendo que eles eram escolhidos por Deus para receberem a "benção". No total, 16 mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta quinta.

O grupo prometia que, com um investimento de R$ 25, os fieis poderiam receber de volta um octilhão de reais (R$ 1.000.000.000.000.000.000.000.000.000). Já quem investisse R$ 2.000 poderia ganhar R$ 350 bilhões de centilhões.

Conforme a polícia, cerca de 200 pessoas fazem parte da organização criminosa. Dentre eles, estão dezenas de lideranças evangélicas, que se intitulam pastores, e influenciadores digitais.

Os criminosos agiam em quase todas as unidades da federação e o golpe pode ser considerado "um dos maiores já investigados no Brasil, uma vez que foram constatadas, como vítimas, pessoas de diversas camadas sociais", segundo a PCDF (Polícia Civil do Distrito Federal).

Estima-se que o grupo fez mais de 50 mil vítimas desde 2019. A maioria delas são pessoas evangélicas. Investigação apontou uma movimentação financeira superior a R$ 160 milhões. 40 empresas fantasmas e de fachada também foram encontradas, além de 800 contas bancárias suspeitas.

A organização utilizava as redes sociais para convencer as vítimas. Para isso, eles se utilizavam da fé alheia, da crença religiosa e de uma teoria conspiratória chamada "Nesara Gesara".

A operação Falso Profeta já prendeu quatro suspeitos do crime, que foram condenados por estelionato. A primeira fase foi deflagrada em 2023. Mesmo assim, o grupo continuou a aplicar golpes, segundo a PCDF.

Cinco líderes religiosos foram alvo nesta terceira fase. Mandados também foram cumpridos em endereços ligados a advogados e influenciadores digitais. Foram apreendidos documentos, eletrônicos, falsos contratos, falsos títulos financeiros e papéis-moeda fictícios, usados para enganar as vítimas.

Medidas cautelares de bloqueio de valores, bloqueio de redes sociais e decisão judicial de proibição de utilização de redes sociais e mídias digitais também foram cumpridas. A organização criminosa é investigada pela prática de estelionato por meio de redes sociais. Também são investigados os crimes de falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.