03 de fevereiro de 2026
NOVAS VÍTIMAS

Golpe do falso advogado volta a atingir idosos em Bauru

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Arquivo pessoal
A advogada Luciana Scacabarossi fez alerta em suas redes sociais, mas não conseguiu evitar que ex-cliente fosse lesada

Aplicado por estelionatários há anos em Bauru, o golpe do falso advogado voltou a fazer vítimas na cidade neste início de ano. Na última segunda-feira (27), uma mulher perdeu cerca de R$ 8 mil após ser convencida por um criminoso de que ainda teria dinheiro a receber de uma ação de cobrança de valores encerrada em meados de 2024.

Advogada que atuou neste processo judicial, Luciana Scacabarossi revela que, neste dia, diversas pessoas entraram em contato para questionar se ela havia enviado mensagens por WhatsApp por outro número de celular a fim de informá-los sobre a vitória em uma ação com quantias a receber. Assim que soube do primeiro caso, a profissional publicou um alerta em suas redes sociais, mas não conseguiu evitar o prejuízo sofrido por esta ex-cliente.

"Os golpistas têm dado preferência a processos envolvendo idosos e são muito convincentes para induzi-los a erro. Neste caso específico, enviaram um documento falso com timbre do Tribunal de Justiça de São Paulo, informando que esta pessoa tinha mais de R$ 50 mil a receber e, infelizmente, ela acreditou", relata Scacabarossi, que é membro do Instituto dos Advogados do Interior Paulista (IADV).

Normalmente por aplicativos de mensagens, os criminosos abordam possíveis alvos usando foto, nome e número de registro de profissionais do Direito para solicitar quantias em dinheiro referentes a processos. Em geral, as cobranças chegam a clientes que, de fato, têm algum tipo de valor a receber, como, por exemplo, em ações trabalhistas, previdenciárias ou indenizatórias.

MODO DE AÇÃO

Os golpistas acessam, nas plataformas online de tribunais, causas que não tramitam em segredo de Justiça para descobrir informações sobre as partes envolvidas, como número do processo e nomes completos, bem como endereços ou números de telefone. Depois de se identificarem como advogados das vítimas e as convencerem de que mudaram de telefone, as 'orientam' a pagar, via Pix, boleto ou transferência bancária, uma quantia em dinheiro a pretexto, por exemplo, de quitação de custas processuais para liberar o valor.

"Eles informam que a pessoa ganhou a ação e receberá uma quantia alta, mas que, para tanto, deve disponibilizar uma valor para recolhimento de uma guia, Darf (Documento de Arrecadação de Receitas Federais), um imposto. Esse condicionamento não existe. Além disso, ainda pedem para fazer o pagamento em nome de um terceiro, que não é o advogado ou seu escritório de advocacia. São situações estranhas que as pessoas devem desconfiar", destaca.

De acordo Scacabarossi, antes de fazer qualquer transação financeira, a pessoa deve entrar em contato com o escritório de seu advogado por meio do número de telefone ou e-mail com que já está habituada a se comunicar e conferir se a cobrança é ou não verídica. Além disso, se possível, deve obter o Pix ou número da conta bancária do golpista para, posteriormente, registrá-lo em boletim de ocorrência. A OAB também tem orientado os advogados a fazer BO eletrônico.