Bauru sempre teve um dos melhores e mais animados carnavais do Interior brasileiro. Nos anos 50 e 60, tivemos um boom de folia, em clubes populares ou de elite, carros alegóricos. Nos diversos blocos e escolas de samba, a alegria contagiava, foram décadas assim deixando boas lembranças. O crescimento foi tamanho que Bauru ganhou até sua "passarela do samba", na época existente somente no Rio de Janeiro. Nosso Sambódromo foi inaugurado no final de 1990 pelo prefeito Izzo Filho, o segundo a ser construída no Brasil. Nem o Anhembi em São Paulo existia. Imaginem o orgulho dos foliões bauruenses em desfilar para um público de 20 mil pessoas, entre arquibancadas e camarotes. A bem da verdade, muito mais que isso. Por ser aberto, outras milhares se acotovelavam próximos às arquibancadas. Os desfiles aconteceram por anos e anos no local, porém, sempre tem um porém, administrações posteriores não souberam, ou não quiseram, explorar esse potencial turístico e os desfiles foram interrompidos em 2002. Desde então, o sambódromo ficou em abandono total até 2010, quando foram retomados os desfiles no local, meramente ilustrativo, pois a competitividade entre blocos e escolas só veio no ano seguinte, mas era um começo, salve o Azulão do Morro. Que saudade me vem ao recordar esses áureos tempos Tobias Ferreira e seu Tamborim de Ouro, jurados atentos aos deslizes dos blocos e escolas; Paulo Keller, Cartola, Paulo Madureira, Pasqual, Mocidade, Batukegê e demais participantes. Público local e da região cantavam juntos os sambas enredos da sua escola/bloco, ambulantes ganhavam o "seu troquinho", camarotes da imprensa e autoridades lotados, sem puxa-saquismo, o do JC era surreal, uma animação total. E a apuração? Coisa de louco, antes no Automóvel Clube e posteriormente no Teatro Municipal, centenas de integrantes aguardavam as notas por quesitos e ansiavam pelo resultado final para soltar o grito preso na garganta, "Somos Campeões!". E não é que o orgulho bauruense começou a se deteriorar, por falta de segurança, fios e lâmpadas foram sendo furtados pelos "noias" de plantão, de Sambódromo modelo passamos a ter uma mini cracolândia.
Uma grande erosão se formou no local colocando em risco as pessoas e a realização dos desfiles. Até aí tudo normal, coisas da natureza ou descaso, só que em vez de solucionarem o problema, preferiram fazer "vista grossa" e transferir os desfiles para outro local, para tristeza dos simpatizantes e 'alegria' dos moradores da avenida Jorge Zaiden e arredores. Será que um dia ainda veremos desfiles no Sambódromo? Nossa passarela do samba vai voltar com força total? Não acredito, se até as marchinhas foram substituídas por MCs, Rap e Sertanejo (nada contra), imaginem reformar o Sambódromo. Para isso precisaríamos de muita força de vontade e empatia com o Rei Momo por parte das nossas autoridades e... sonhar com isso no momento é acreditar em Papai Noel (me desculpem as crianças), pura utopia. Alalaôôôô para todos os foliões sonhadores e iludidos como Eu.