08 de julho de 2026
OPINIÃO

Faltou acabamento

Por Alfredo Eneias Gonçalves d'Abril |
| Tempo de leitura: 3 min
Professor universitário, aposentado

Até o final do ano de 2022, muitas pessoas ocuparam a coluna do leitor, do JC, semanalmente, até mesmo a coluna Opinião, espaço reservado no JC aos articulistas fastidiosos e manejadores de assuntos mais sensíveis à população de nossa cidade, para criticar a promessa então descumprida de nossa prefeita municipal em manter as vias públicas urbanas livres dos incontáveis buracos cavados pelas chuvas e dimensionados pelo trânsito pesado.

Algumas dessas valas se tornaram tradicionais, eis que a Administração renova o chefe do executivo a cada quatro anos, entretanto, os buracos mal tapados abrem-se novamente como se fossem um convite disfarçados em armadilha para os pneus passarem exatamente sobre eles. A cada ano que passa a operação "tapa buracos" é postergada para o ano seguinte, usando-se do surrado argumento que não houve verba suficiente para atender o plano de recuperação das vias públicas, no entanto, não haverá falta dela no ano seguinte, noticia a imprensa. E assim vai.

Esse serviço público, consta do cardápio de todo postulante à Prefeito, todavia, é raramente executado durante a legislatura. A inércia e descaso com a própria palavra empenhada somente interessa aos donos de oficinas mecânicas que consertam os danos causados no sistema de suspensão dos automóveis. Estive antes das eleições municipais nas cidades de Jaú e Pederneiras (nessa ordem) na companhia de Pedro Gonçalves Cardoso, e apreciando admirado as vias urbanas recapeadas com o acabamento das capas asfálticas em ruas cruzando esquinas se fundindo em uma só camada de maneira a assegurar estabilidade do veículo ao invés de sacolejá-lo como acontece na junção de nossas ruas. É visível em alguns cruzamentos de vias o asfalto terminar tapando as canaletas.

O prometido recapeamento das vias públicas mais sacrificadas pelo trânsito pesado e as dos Altos da Cidade tiveram início antes das eleições e a candidata conseguiu dos eleitores, com folga, o novo mandato, circunstância que invalida alegar que o serviço de pavimentação só foi executado com a reeleição da prefeita.

Não se perca de vista que esse acabamento ou outro que seja de comprovada solução, aqui em Bauru, e anteriormente a eleição municipal, o recapeamento parava na canaleta sem o rebaixamento da altura (entre 2 e 4 cm) e prosseguia de sua outra lateral sem o dito rebaixamento, situação que, fosse a calha rebaixada, daria uma passagem com pouca frenagem ao veículo, evitando problemas técnicos na suspensão.

Como o cruzamento das vias asfaltadas de Bauru está deixou os proprietários de terrenos e construções insatisfeitos; a empresa prestadora do serviço asfáltico obteve o esperado lucro e a prefeita ganhou um bom acréscimo de prestigio.

Todos somaram exceto a população da periferia que aguarda sua vez e muitas ruas da área central também esticam a fila de espera, mesmo que o recapeamento desrespeite a forma correta de unir as pontas do asfalto. Como leigo para julgar a qualidade-durabilidade do asfalto nada tenho a dizer, todavia, ao pousar os olhos em várias vias contempladas recentemente com esse produto, máxime as que suportam trânsito pesado, é de ser notado vestígios acentuados de pneus de veículos de carga ou de passageiros denunciando a falta de um solo-cimento não devidamente preparado para sustentar a quantidade de peso que por ali são transportados.

Avenidas Rodrigues Alves e Duque de Caxias, dentre outras vias de acesso, mostram em diversos trechos seu afundamento e o despreparo do solo cedendo ao peso da carga transportada.