O tutor de um pit bull encontrado ferido, inclusive com risco de morte, foi preso em flagrante na tarde desta sexta-feira (10), em Botucatu (a 100 quilômetros de Bauru). Além dos maus-tratos, o homem de 29 anos responderá por desacato. Isso porque, depois de o animal ter sido resgatado às pressas da casa dele, no Jardim Itamarati, a veterinária do Departamento de Proteção Animal (DPA) da prefeitura passou a ser ameaçada por ele, inclusive de morte, via WhatsApp.
De acordo com a profissional, a cachorra pit bull apresentava diversos ferimentos decorrentes de ataques de outros cães do mesmo tutor. Como não foram tratadas, as lesões evoluíram - até larvas foram encontradas nos machucados.
Diante do contexto, foi realizada uma operação policial desenvolvida no âmbito da Delegacia de Investigações Gerais (DIG)/Grupo de Operações Especiais (GOE), por determinação do delegado seccional, Lourenço Talamonte Netto.
Quando os policiais chegaram ao endereço, o homem os recebeu acompanhado da esposa. Com antecedentes por tráfico e roubo, foi encaminhado ao plantão policial e permaneceu à disposição da Justiça, informou a Polícia Civil.
À autoridade policial, ele disse que acolheu essa cadela recentemente, pois ela estava abandonada na rua e já machucada. No entanto, seu outro cachorro brigou com ela. Alegou ainda que pretendia levar a pit bull para ser atendida por médico veterinário, ainda na tarde desta sexta-feira, refutando a prática de maus-tratos, consta do boletim de ocorrência.
Em relação ao desacato, de acordo com o documento registrado no plantão, admite ter enviado mensagens para a médica veterinária em momento de nervosismo, mas garantiu arrependimento. O órgão da prefeitura, no entanto, informou na delegacia que já estivera na mesma casa anteriormente, quando a “posse irresponsável” de animais também fora flagrada. Na oportunidade, o tutor tinha dois cachorros da raça pit bull e foi multado administrativamente por ter se recusado em castrá-los.
Na ocasião, não havia indício de maus-tratos, consta do BO. Porém, no início deste ano, ele fez contato telefônico com o DPA, solicitando o fornecimento de ração, já que havia acolhido outra cadela da mesma raça. Já nesta sexta, o departamento recebeu denúncia anônima de maus-tratos, dando conta de que cachorros haviam brigado entre si e estavam lesionados.
Na residência, a veterinária foi atendida pela esposa do homem, que não estava lá. A profissional viu a cadela apática, com escoriações com pus, ferimentos com larvas e membro pélvico direito com luxação. Ainda segundo o BO, as características mencionadas indicam que os ferimentos ocorreram há pelo menos três dias.
Dez minutos depois do resgate, as ameaças começaram e foram apresentadas à Polícia Civil.