Na edição JC de 30 de julho de 2023 publiquei uma matéria sob o título "Parar ou não parar? Já decidi", em que após ponderações entre encantos e desencantos, alegrias e tristezas tinha resolvido parar de escrever e encaminhar matérias à redação deste conceituadíssimo periódico que sempre teve a gentileza de regularmente publicá-las.
Fui cobrado e comentado por leitores e amigos inconformados que pediam minha volta em escrever e publicar, em todas as vezes escusei-me alegando os mais variados motivos, todos eles pessoais. Mas confesso, muito embora não queira estender a mão à palmatória, senti muita falta de escrever e de me comunicar com amigos e leitores. Os dezoito meses foram-me um tempo sabático e necessário de calmaria literária e reflexões. Concluí que do alto dos meus noventa e quatro anos tenho ainda pouco a dar e muito a aprender neste tempo de incontáveis e rápidas mudanças.
Neste pouco a ensinar, fora do meu querido ambiente familiar e da minha área educação, sirvo-me do meu relacionamento com os vizinhos, amigos, da renovação de minha carta de motorista, de minha ida à feira das quintas na Praça dos Professores onde recebi de um amigo entusiasta o título de "atleta do bairro". Talvez esse indevido e exagerado título seja motivado pelas minhas rotineiras e persistentes caminhadas em horário matutino, um tanto encurvado, portando a tiracolo o meu celular e geralmente pelos mesmos roteiros.
Não me preocupo em dar passos largos porque já foi o meu tempo, sou ultrapassado por jovens correndo e novos amigos também caminhando e que me cumprimentam jovialmente, sorrindo e outras vezes talvez admirados. Como são alegres os encontros com aqueles que fazem o passeio matinal com os seus pets, fato que futuramente pretendo abordar. Como esses encontros são positivos pela aproximação das pessoas e na formação de novas amizades. Quantas amizades novas com idosos e jovens que passeiam com seus pets e as minhas mesmas perguntas: "ele ou ela?", nome, idade. Vejo que para conhecidos e desconhecidos e mesmo aos jovens ligados ao celular o meu "bom dia" provoca uma alegre e algumas vezes, encantadora resposta! Que sorrisos deliciosos já armados por aquelas bonitas jovens da esquina do condomínio e alunas do curso de medicina da Uninove quando veem me aproximar e aguardam o mesmo cumprimento "lindas meninas doutoras bom dia!".
Em determinados dias da semana, em minha caminhada de ida ou volta passo na vicinal da Unisagrado onde no mesmo horário da manhã o tráfego de ônibus e principalmente carros é intenso e de soslaio enxergo o rosto e a expressão de espanto de alguns motorista com "aquele figurinha" que sou eu. Se a maioria passa alheia ou indiferente estou certo que de 20 a 30% pensam ou concluem mentalmente "estou precisando fazer isso, caminhar, sair mais!"
Caro leitor, desculpe se me alonguei e se não encontrou aqui o que esperava. Talvez esteja decepcionado e esperasse mais. Prometo que em outras publicações a que darei reinício, graças à abertura e receptividade do querido amigo João Jabbour, abordarei sempre com um espirito crítico construtivo assuntos ou motivos de interesse da comunidade e, em ultima instância, do homem.
Que se entenda de que um homem precisa do outro homem. O homem não deve transformar-se em um ilha. Um homem não consegue ser bom, honesto ou desonesto, caridoso, amoroso, frio, indiferente ou mau sem o outro homem. O homem sozinho é ninguém.