09 de julho de 2026
OPINIÃO

2024 - 2025 - 2026

Por Paulo Cesar Razuk | O autor é professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp Bauru
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Em um de seus escritos o norte americano William Faulkener (1897 - 1962) disse que "o passado nunca está morto, ele nem mesmo é passado", de fato, ele está no presente em nossa memória, em nossas recordações. O futuro está no presente através de nossas expectativas e no passado, fonte de nossas experiências vividas. O presente não passa, portanto, de um pequeno marco cronológico entre duas longas extensões temporais: o passado e o futuro.

O presente é impulsionado ao futuro e remetido ao passado pelo futuro. O passado ao invés de puxar para trás, empurra para a frente até porque não nos dá alternativas e ao contrário do que seria de se esperar, é o futuro que nos impele de volta ao passado, fonte de todas as lembranças. A cena é a de um campo de batalha no qual se digladiam duas forças: a do passado e a do futuro, com o presente no meio. Dessa forma o presente se torna muito estimulado e superlotado.

O avanço tecnológico, as mídias sociais, a globalização nos distanciam do passado impulsionando-nos para o futuro. Essa transição do passado para o futuro se acelera com o tempo e gera uma crise exatamente pela alta velocidade em que acontece.

Uma crise que põe em xeque a autoridade do passado em sua tarefa de transmitir, preservar e renovar tradicionais valores humanos que devem se fazer vivos no presente. Quando o passado deixa de lançar sua luz sobre o presente, a mente do homem corre o risco de vagar nas trevas.

É claro que sempre devemos imprimir um frescor ao passado através de uma educação de qualidade que permita achar e trazer para o presente, pérolas esquecidas no tempo, transformando-as em fontes de iluminação que possam nos guiar em direção ao futuro. Quando a família não repassa aos seus recém-chegados os valores universais, quando a educação falha na transmissão e geração do conhecimento, perde-se o fio que nos guiou pelos longos caminhos do passado. Isso equivale a perder um conjunto sólido de referências, tal qual um corrimão que evita quedas e que deixa nosso percurso muito mais seguro.

A família e a escola dividem responsabilidades no desenvolvimento da criança que requer cuidado e proteção especiais para que nada de destrutivo lhe aconteça por parte do mundo. Porém, também o mundo necessita de proteção, para que não seja destruído pelo assédio do novo que irrompe sobre ele a cada nova geração.

Sem a construção do caráter baseado na ética e nos princípios da cooperação, bondade e fraternidade, o que mais se vê no presente é a violência e o que mais se faz no presente são empréstimos. Ficamos devendo ao planeta e contando com o futuro, na verdade, com as futuras gerações para pagar esses empréstimos.

Somos seres humanos, mas, feitos de elementos não humanos. Sem a água, os minerais, plantas e animais presentes no planeta, os seres humanos não poderiam existir. Então a crise ocorre porque, na ausência de valores e da educação, se olha para o próximo com desconfiança, se olha para a Terra como algo inerte e para ambos com interesses egoístas, no entanto, deveríamos olhar para eles como semelhantes e como algo do qual também fazemos parte.

Sabemos que se continuarmos sem proclamar valores e sem fomentar a educação, se continuarmos a destruir áreas verdes, poluir nossas águas e o ar, não há como evitar um desastre.

Haverá catástrofes, inundações, novas pandemias e no futuro próximo o fim de nossa civilização certamente acontecerá.

O autor é professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Mecânica da Faculdade de Engenharia da Unesp Bauru