10 de julho de 2026
ATITUDE

Bebida alcoólica: um custo de R$ 18,8 bilhões ao ano

Por João Sorima Neto |
| Tempo de leitura: 3 min
Pornsawan
Estudo mostra o impacto financeiro dos problemas relativos ao álcool no Brasil

Pesquisas recentes mostraram que o consumo de álcool, em qualquer quantidade, está diretamente associado a pelo menos 24 doenças, como câncer, problemas cardiovasculares e no sistema digestivo, além de mortes prematuras por acidentes e violência. Um levantamento inédito feito por pesquisadores da Fiocruz, que foi divulgado ontem, trouxe uma nova abordagem econômica sobre o tema e revelou que as doenças, perda de produtividade no trabalho e absenteísmo, além de internações e custos ambulatoriais atribuídos ao consumo de álcool, custaram ao Brasil R$ 18,8 bilhões em 2019, entre gastos diretos e indiretos.

Segundo o levantamento, no Brasil, foram 12 óbitos por hora em mortes atribuíveis ao álcool, com base em dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), totalizando 104,8 mil mortes no país naquele ano. Os homens foram as principais vítimas e representaram 86% do total das mortes. Quase metade dos óbitos teve como causa doenças cardiovasculares, acidentes e violência. Já as mulheres responderam por 14% das mortes também por problemas cardiovasculares e por diversos tipos de câncer (mama, esôfago, fígado e reto), entre outros.

O estudo é baseado em dados oficiais de fontes públicas, como os dados relativos ao SUS e pesquisas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e considera apenas os gastos da União. Segundo o pesquisador da Fiocruz e responsável pelo levantamento Eduardo Nilson, há também fatores que não se pode mensurar, como problemas de saúde mental que têm impacto econômico no trabalho e na sociedade, provocando mais gastos.

Portanto, a conclusão é que, embora os R$ 18,8 bilhões sejam uma cifra expressiva, o custo real do consumo de álcool para a sociedade brasileira é provavelmente muito maior.

Imposto maior para bebidas é um caminho

Organização global de saúde que trabalha com governos e a sociedade civil no enfrentamento de problemas de saúde pública (e que encomendou o estudo à Fiocruz), a Vital Strategies recomenda a adoção de medidas como o imposto seletivo sobre bebidas alcoólicas, que será implementado com a reforma tributária. O texto da reforma prevê que produtos prejudiciais à saúde, como cigarros e bebidas alcoólicas, sejam sobretaxados. Essa também é uma das ações recomendadas pela OMS para tentar reduzir o consumo de álcool e seu impacto econômico negativo. Só de custos diretos com hospitalizações e procedimentos ambulatoriais no Sistema Único de Saúde (SUS), foram gastos R$ 1,1 bilhão pelos cofres públicos, de acordo com o levantamento da Fiocruz.

Mulheres estão bebendo mais

Segundo os pesquisadores da Fiocruz, dados do Vigitel, sistema de monitoramento de fatores de risco do Ministério da Saúde, mostram que está aumentando o consumo de álcool entre as mulheres. Entre 2006 e 2023, a ocorrência de consumo abusivo (quatro ou mais doses em uma mesma ocasião) quase dobrou entre pessoas do sexo feminino.

A tendência também é comprovada pela PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde Escolar) de 2019, que mostra que enquanto 60% dos adolescentes do sexo masculino já tinham experimentado álcool antes dos 17 anos, entre as meninas, a porcentagem era de 67%.

"Essa mudança comportamental traz um sinal de alerta", afirma Pedro de Paula, diretor-executivo da Vital Strategies.