A Feira de Frankfurt, maior evento literário do mundo, começou nesta terça-feira com um olho na Itália, o país convidado de honra, e outro na Ásia, que pela primeira vez terá um palco próprio para exibir seus autores e promover debates específicos sobre a região. O timing não poderia ser melhor, já que a sul-coreana Han Kang acaba de se tornar a primeira autora de seu país a receber o Nobel de Literatura - com uma carreira desenvolvida sem se afastar de suas raízes culturais.
Isso pode apontar para um deslocamento dos olhares de um mercado ainda muito eurocêntrico à região, o que já vem acontecendo, por exemplo, na música pop e no cinema de prestígio. A feira é o maior balcão de negócios literários do mundo, marca incontornável no calendário dos principais editores e agentes literários de todos os continentes - além, claro, de reunir autores estrelados. A abertura será feita por Elif Shafak, a escritora mais popular da Turquia e uma advogada feroz da liberdade feminina, o que a coloca em embate direto com o governo conservador de Recep Tayyip Erdogan.
A autora, editada no Brasil pela HarperCollins, chegou a ir a julgamento há cerca de duas décadas por "insultar a identidade turca".