11 de julho de 2026
OPINIÃO

Quais são os sinais indicados pelo IPCA-15?

Por Reinaldo Cafeo |
| Tempo de leitura: 2 min
O autor é diretor regional da Ordem dos Economistas do Brasil

O dado mais recente da inflação oficial brasileira é o IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), que apurou a evolução dos preços de 16 de julho até 15 de agosto. O índice apresentou desaceleração de 0,30% no mês anterior para 0,19% neste mês.

Quais os sinais indicados pelo IPCA-15? Como ele é uma prévia da inflação do mês fechado, indica um bom sinal, demonstrando que o esforço do Banco Central em controlar a inflação está dando resultado.

Por outro lado, indica que a taxa de juros deverá ser mantida elevada por um tempo. Isso se dá porque no acumulado em 12 meses o índice atingiu 4,35%, e a meta de inflação é de 3%, com tolerância máxima de 4,5%, ou seja, o resultado acumulado até agora está próximo do limite máximo da meta, o que exigirá rigor monetário.

Além dos aspectos internos em relação ao comportamento da inflação, ainda há que se considerar os aspectos externos. Do lado da economia americana, se confirmada a redução da taxa de juros, pode ser positivo para o ambiente doméstico, com menor pressão sobre o câmbio.

Isso ajudaria no controle inflacionário, mas há outras variáveis externas. Uma delas é a tensão geopolítica, o que tem elevado a cotação do petróleo, entre outras commodities, trazendo pressão interna sobre os preços.

Se isso tudo não bastasse, pairam dúvidas importantes sobre a efetividade das ações do governo Federal no tocante ao rigor fiscal.

Caso a dívida pública eleve sua relação com o Produto Interno Bruto, o ambiente de risco se eleva, e o Banco Central será obrigado a manter a política monetária restritiva, sendo obrigado, inclusive, a optar por um eventual aumento na taxa básica de juros.

Esses sinais indicam que, embora haja progresso no controle da inflação, ainda existem desafios significativos tanto internos quanto externos que precisam ser gerenciados.

A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM) será nos dias 17 e 18 de setembro, até lá o IPCA de agosto, mês fechado, será conhecido, e a leitura do ambiente externo será mais clara, bem como o desempenho orçamentário do governo federal.

Tudo isso poderia ser muito mais simples, caso o Brasil fizesse a lição de casa, mas a classe política teima em acreditar o dinheiro público é infinito e que a economia não é uma ciência.

Como dizem: é o que temos.