11 de julho de 2026
MISTÉRIO

Caso Claudia: 'crime de colarinho branco' também será investigado

Por Bruno Freitas e Douglas Wilian | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Bruno Freitas
Diretor do Deinter-4, Ricardo Martines, em entrevista, no início da tarde

A Polícia Civil informou, no início da tarde desta terça-feira (20), que o caso envolvendo o desaparecimento da secretária-executiva da Apae Bauru Claudia Regina Rocha Lobo, já tratado como possível homicídio e ocultação de cadáver, terá uma segunda linha de investigação. A partir de agora, um outro inquérito também vai apurar possível crime contra ordem financeira e tributária na Apae Bauru.

O trabalho estará sob a responsabilidade do delegado Gláucio Eduardo Stocco, titular do Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold), informou o diretor do Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior (Deinter) 4, Ricardo de Paula Martines.

O órgão pertence à Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Bauru, assim como a 1.ª Delegacia de Investigações Gerais (1.ª DIG) e da 3.ª Delegacia de Homicídios da Deic, sob o comando do delegado Cledson Luiz do Nascimento, que tenta encontrar o corpo de Claudia, vista pela última vez no dia 6 de agosto.

O principal suspeito por seu sumiço é o presidente afastado da entidade Roberto Franceschetti Filho, 36 anos, preso temporariamente desde a semana passada. Ontem, em depoimento, ele alegou que é inocente e disse à imprensa: "eu preciso de ajuda".

A declaração de Franceschetti Filho foi proferida no momento em que ele deixou a Deic com destino à Cadeia Pública de Pirajuí, após ser interrogado por cerca de uma hora e meia por Cledson Luiz do Nascimento. Para justificar o pedido de ajuda, o presidente afastado citou "tudo o que fiz pela Apae e por Bauru", sem dar detalhes.

Ele ainda não havia sido ouvido oficialmente porque seus advogados aguardavam acesso ao inquérito, que foi liberado pelo Fórum no final da manhã desta segunda. O pedido, por sua vez, fora formalizado na última sexta (16).

O advogado Leandro Chab Pistelli, que defende Franceschetti Filho, informou que o seu cliente afirma ser inocente e respondeu a todas as perguntas da autoridade policial. "Contudo, até que seja retirado o sigilo, não posso dar maiores detalhes", declarou. Pistelli disse que analisa os autos para verificar a possibilidade de impetrar habeas corpus (HC).

Investigações seguem sendo feitas com intuito de direcionar as buscas pelo corpo de Claudia. Nascimento já teve acesso ao resultado de exames periciais realizados pelo Instituto de Criminalística (IC) de Bauru, que devem ser divulgados na tarde desta terça-feira (20). Inclusive do confronto balístico, para averiguar se a cápsula encontrada no carro em que Claudia foi vista pela última vez é compatível com a arma registrada em nome de Franceschetti Filho.

Relembre o caso

Claudia Lobo desapareceu na tarde do último dia 6, quando deixou a unidade da Apae onde trabalha, na rua Rodrigo Romeiro, no Centro, com uniforme, segurando um envelope na mão. Na ocasião, ela embarcou em uma Spin branca da entidade, sem levar bolsa e celular. Também não avisou ninguém para onde iria. A entrada da secretária-executiva no veículo foi flagrada por câmeras de segurança.

O desaparecimento foi registrado na Polícia Civil na noite do mesmo dia. Já a Spin foi localizada na manhã seguinte, destrancada, com a chave no quebra-sol, na Vila Dutra. O veículo passou por perícia e, durante os trabalhos, segundo a Deic, foram encontrados sangue e o estojo de uma arma, compatível com a pistola calibre 380 apreendida posteriormente com o presidente afastado da Apae.

A prisão temporária dele, por 30 dias, ocorreu na tarde da última quinta (15), e foi mantida na audiência de custódia, no dia seguinte. A Deic chegou até Franceschetti Filho com base em câmeras de segurança e contradições no depoimento. Via sinal do celular, apurou ainda que ele estava nas proximidades do local onde o carro ocupado pela vítima foi deixado, no horário em que câmeras de segurança registraram o abandono da Spin. 

Portanto, para a Justiça, há indícios de autoria do presidente afastado da Apae no desaparecimento de Claudia. Além de uma área de descarte de material inservível usada pela entidade, buscas são feitas em uma região de eucaliptos às margens da rodovia Cezário José de Castilho (SP-321), a Bauru-Iacanga.