09 de julho de 2026
BAURU

Valor das compras em supermercado na região supera média estadual

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Tisa Moraes
Carlos Correia, diretor-geral da Apas, e, ao fundo, Paula Andrea Ferracini e Francisco Cláudio Ferracini, da diretoria regional

Com tradição no ramo supermercadista, a região de Bauru apresenta indicadores operacionais melhores do que a média do Estado. Um deles é o valor médio das compras realizadas pelos consumidores, de R$ 105,00, 24% a mais do que a média estadual, de R$ 84,70.

Da mesma forma, a quantia vendida, quando dividida pelo número de funcionários, totalizou R$ 41.400,00 em junho passado, superando os R$ 40.400,00 alcançados pelo Estado. Já quando a divisão foi feita pela soma de metros quadrados dos estabelecimentos, os resultados foram, respectivamente, de R$ 4.505,00 e R$ 3.762,00.

Os dados abrangem os 55 municípios da diretoria regional da Associação Paulista de Supermercados (Apas) e foram apresentados pela instituição na última quinta (15), dia em que ocorreu mais uma edição da Apas Experience Bauru, feira regional que integra a cadeia de abastecimento do setor supermercadista. Economista-chefe da Apas, Felipe Queiróz explica que a região possui números de destaque porque, nela, há forte investimento neste segmento. "Historicamente, houve um investimento muito robusto no desenvolvimento, no atendimento, na eficiência do setor, o que contribui para que tenha um nível operacional acima da média", frisa.

De acordo com levantamento da associação, até o fim de 2023, os supermercados da regional Bauru empregavam mais de 24.951 pessoas, o equivalente a 3,8% dos funcionários do setor no Estado, e faturaram R$ 10,8 bilhões, montante que representa 3,6% do R$ 300 bilhões totalizados pelo supermercados paulistas.

"Temos números expressivos. Estamos localizados no centro do Estado de São Paulo, com lojas muito bem montadas em todos os quesitos, tais como beleza, tamanho, modelo de tecnologia. São pilares que ajudam a impulsionar resultados como estes dentro da cadeia supermercadista paulista", frisa o diretor regional da Apas em Bauru, Francisco Cláudio Ferracini, acrescentando que, somente em 2023, o setor abriu 18,3 mil vagas de trabalho, 851 delas na região.

Queiróz também comenta que, embora a economia da cidade de Bauru seja alicerçada em serviços e comércio, as diversas indústrias da região - que, inclusive, empregam moradores do município - completam um sistema positivo para a economia e, particularmente, ao setor supermercadista. Ele cita, ainda, o fato de este segmento não ser estruturado em oligopólio - algo comum em outros países - fomenta a concorrência, o que contribui para ganhos em eficiência operacional. "A competição é sempre pelo melhor atendimento, para entregar a melhor oferta ao consumidor final", pontua. Trata-se de uma análise reforçada pelo diretor-geral da associação, Carlos Correia. "Uma base importante dos nossos 1,5 mil sócios, que representam aproximadamente 5 mil lojas, são supermercados pequenos, em que o dono está presente na operação. Em Bauru, temos pequenas operações, mas também as grandes, que ajudam o setor a ter 9,3% de participação no PIB do Estado e 2,8% no PIB do País", observa. Segundo Queiróz, a projeção é de que o segmento no Estado cresça 4,5% em 2024 e, na região, 5,8%.

140 TONELADAS

A diretoria regional da Apas em Bauru doou, por meio de seus supermercados associados, 140 toneladas de alimentos a instituições assistenciais de janeiro e julho de 2024. O resultado é fruto do projeto-piloto realizado em parceria com o Prato Cheio, Sesc Mesa Brasil e Amigos do Bem.

Ele nasceu de uma iniciativa da diretora-geral de responsabilidade social e sustentabilidade da Apas, Maria do Rosário Brandão, que, em maio de 2023, havia implantado a arrecadação de alimentos junto a empresas participantes da Apas Show, na Capital. Para se ter ideia, após a edição de 2024, 240 toneladas já haviam sido arrecadadas.

"Ainda no ano passado, nas reuniões para esta iniciativa tornar-se permanente, pedi para que nossa regional fizesse o projeto-piloto e convidei o Sesc para esta parceria", comenta Paula Andrea Ferracini, vice-diretora de responsabilidade social e sustentabilidade da regional.

Ela explica que as equipes do Sesc são responsáveis por fazer a separação e a destinação dos alimentos, cumprindo protocolos de segurança alimentar para manuseio e transporte dos produtos. Em sua maioria, são mercadorias do setor de hortiftruti, como frutas e legumes fora dos padrões de comercialização, mas em condições seguras para o consumo, além de itens com prazos de vencimento próximos e que podem ser rapidamente utilizados pelas instituições.

Neste ano, até julho, 120 toneladas de alimentos foram entregues a instituições assistenciais de Bauru e 20 toneladas foram destinadas Jaú, contemplando 130 entidades e mais de 30 mil pessoas. As duas cidades são as que já participam do projeto-piloto e o desafio é expandi-lo aos demais 53 municípios da regional.

"Estes alimentos eram jogados fora e, agora, alimenta crianças e jovens, enquanto o dinheiro que as entidades gastavam para comprar comida está sendo destinado a outras finalidades, como ações para educação, cultura, esportes. Com o modelo do projeto formatado, se tudo der certo, teremos um número ainda mais expressivo do que este nos próximos anos", frisa, acrescentando que, pela primeira vez, a arrecadação de itens também ocorreu ao final da Apas Experience Bauru.