11 de julho de 2026
OPINIÃO

Pressão Inflacionária e reflexos no crescimento econômico

Por Reinaldo Cafeo |
| Tempo de leitura: 2 min
O autor é diretor regional da Ordem dos Economistas do Brasil

Os instrumentos de política macroeconômica estabelecem uma relação de causa e efeito que interfere nos principais indicadores da economia. Um exemplo disso é a política monetária praticada pelo Banco Central. Quando há pressão sobre os preços, ou seja, inflação com viés de alta, a opção é o aperto monetário.

Com o crédito mais caro devido ao aumento da taxa de juros, há menor volume de recursos circulando na economia, o que inibe a inflação de demanda provocada pelos consumidores e, em média, faz os preços caírem. O efeito de um eventual aperto monetário é a redução do crescimento econômico. Com menor demanda, mais produtos ficam disponíveis e o volume de vendas diminui, fazendo com que a roda da economia não gire.

Além da questão objetiva em torno dos preços da economia, há fatores externos que podem pressionar a inflação. Nesse contexto, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em sabatina na Câmara dos Deputados, apontou como fontes de pressão as eleições americanas, o risco fiscal, entre outras variáveis.

O risco fiscal é conhecido: se o país continuar gastando mais do que arrecada, terá que manter os juros elevados para se financiar, aumentando o prêmio pelo risco. Já as eleições americanas podem afetar os preços internacionais via desaceleração da economia chinesa. De acordo com Campos Neto, as propostas dos candidatos norte-americanos de elevar gastos públicos, aumentar o imposto de importação para produtos chineses e limitar a imigração de trabalhadores de outros países, podem pressionar a inflação nos EUA e, por consequência, impedir uma queda maior na taxa de juros daquele país.

Isso afeta o ânimo dos investidores internacionais, pressionando a cotação do dólar. Se o diferencial de juros for favorável aos Estados Unidos, há uma tendência de migração de capital para lá. Para segurar o capital estrangeiro no país, uma das formas é aumentar a taxa de juros, o que, dependendo de seu patamar, pode frear o crescimento econômico.

O resumo de tudo isso é: neste ano, dificilmente a taxa de juros no Brasil terá trégua. Portanto, manteremos uma política monetária restritiva, com reflexos negativos no crescimento da economia em 2024.

E em 2025? Sem Campos Neto à frente do Banco Central (ele terá o fim de seu mandato em dezembro deste ano), se houver interferência política do governo federal nas decisões do Banco Central, a economia não manterá o equilíbrio, podendo ocorrer uma deterioração ainda maior dos indicadores econômicos.

Estamos em um momento delicado da economia nacional e do contexto internacional, e qualquer descuido na condução da política econômica poderá prejudicar a geração de emprego e, consequentemente, de renda. É o momento de aplicar com maestria os instrumentos de política macroeconômica. A ver!