11 de julho de 2026
OPINIÃO

Se o Brasil fizer a lição de casa, o câmbio acalma

Por Reinaldo Cafeo |
| Tempo de leitura: 2 min
O autor é diretor regional da Ordem dos Economistas do Brasil

A leitura de eventual recessão na economia americana, a maior economia do mundo, abalou os mercados mundiais e sinalizou que o Fed (Banco Central americano) poderá promover redução na taxa básica de juros, que atualmente oscila na faixa entre 5,25% e 5,50% ao ano. A Autoridade Monetária dos Estados Unidos, vem monitorando a economia americana, notadamente a inflação, que atualmente está na casa de 3% (anualizada) e o mercado de trabalho, que se demonstrava aquecido. Isso mesmo, desmontava.

Com a queda na geração de emprego não-agrícola (dos 175 mil previstos em julho, o número foi de 114 mil) e o aumento da taxa de desemprego também em julho (de 4,1% para 4,3%) os agentes econômicos entendem que o mercado de trabalho arrefeceu, e foi aceso o sinal de alerta, apontando para o necessário afrouxamento na política monetária, ou seja, queda na taxa de juros.

Por aqui, a ata do Comitê de Política Monetária fez o alerta no sentido contrário, ou seja, para o aperto monetário, posto que a elevação da cotação do dólar, principalmente ela, tem pressionado a inflação, que somada ao risco fiscal, deve não somente manter a taxa de juros elevada, como eventualmente ter que aumentar em pelo menos 0,25 ponto percentual ainda este ano. Em uma situação normal (no economês: céteris-paribus - nada interferindo) queda na taxa de juros nos Estados Unidos e manutenção da taxa básica de juros em níveis mais elevados aqui, seriam suficientes para atrair o capital estrangeiro e consequentemente derrubar a cotação do dólar, reduzindo a pressão sobre os preços, e abrindo espaço para ali na frente, o Banco Central brasileiro voltar a reduzir a taxa de juros.

Agora, abrindo mão da condição céterius-páribus, o problema interno é a questão fiscal. Com déficit primário de R$ 43,4 bilhões no acumulado do primeiro semestre deste ano, e ainda com dúvidas se o contingenciamento e congelamento no orçamento anunciados pelo governo Federal, serão efetivados e atingirão o pretendido, ainda haverá pressão sobre o câmbio e principalmente sobre a taxa básica de juros.

Em resumo: é só o governo Federal praticar o que uma simples dona de casa pratica nas finanças do lar, ou seja, gastar menos do que ganha, no caso, gastar menos do que arrecada em termos de tributos, que o ambiente econômico fica mais previsível, menos tenso, e os indicadores econômicos favoráveis ao crescimento econômico. Simples assim.

Se o Brasil fizer a lição de casa, o câmbio acalma.