09 de julho de 2026
TURISMO

lha de Páscoa: uma aventura chilena em Rapa Nui

Por Reinaldo José Lopes com Redação |
| Tempo de leitura: 5 min
Destino turístico abrigou população menor do que pensava, o que põe em xeque tese sobre colapso

Em função do seu relativo isolamento, muitos mistérios cercam a Ilha de Páscoa, como a construção e instalação dos moais, gigantes estátuas com feições humanas encontradas em diversas áreas da ilha. Vivem hoje na Ilha de Páscoa 7.750 pessoas, que desenvolvem uma economia baseada no turismo, na agricultura e na pesca.

O destino da misteriosa civilização da ilha de Páscoa, no oceano Pacífico, provavelmente não foi selado pela superexploração agrícola de seu solo, sugere um novo estudo. A análise, combinando imagens de satélite com modelos computacionais, indica que só uma área bastante modesta da ilha chegou a ser usada para a agricultura intensiva.

Essas lavouras em pequena escala teriam sustentado uma população de poucos milhares de habitantes ao longo dos séculos ?mais ou menos a mesma quantidade de gente que existia ali quando os primeiros europeus desembarcaram no território, em 1722.

Os dados acabam de sair em artigo no periódico especializado Science Advances. Se as conclusões estiverem corretas, elas podem solapar a ideia de que a ilha teria passado por um processo de superpopulação, chegando a abrigar dezenas de milhares de pessoas num território pequeno (de 24 km de comprimento por 12 km de largura).

A discussão sobre a ascensão e a queda da civilização de Rapa Nui, como a ilha é conhecida no idioma polinésio de seus habitantes originais, tem se estendido há décadas.

Uma interpretação, defendida por especialistas como o biogeógrafo americano Jared Diamond em seu best-seller "Colapso", de 2005, é que a chegada dos primeiros seres humanos ao ambiente insular teve impacto devastador sobre a flora de grandes palmeiras e sobre a fauna de aves endêmicas (exclusivas) de Rapa Nui.

A partir dos séculos 12 ou 13 d.C., esses primeiros colonos polinésios teriam derrubado as palmeiras em massa e caçado as aves nativas. Além disso, ratos que pegaram "carona" nos barcos teriam completado o desastre ecológico ao devorar sementes das árvores e ovos de pássaros.

Com pouca matéria-prima sobrando para construir canoas e pescar, eles teriam se dedicado à agricultura intensiva, em especial ao plantio de batata-doce, e à criação de galinhas. Durante algum tempo, a população teria crescido, permitindo o surgimento de uma sociedade complexa, construtora das famosas estátuas de pedra da região.

Mas o solo frágil e as condições climáticas da ilha de Páscoa teriam levado ao colapso da produção de alimentos, desembocando em guerras, canibalismo e uma grande perda populacional. A chegada de epidemias levadas pelos europeus teria sido apenas a cereja do bolo.

Diversos trabalhos, porém, têm questionado esse cenário apocalíptico. No artigo recém-publicado na Science Advances, a equipe capitaneada por Dylan Davis, da Universidade Columbia, tentou obter a estimativa mais precisa possível sobre a área da ilha empregada para práticas agrícolas intensivas no passado.

É possível detectar essas áreas porque elas eram cultivadas de acordo com a técnica da "jardinagem de pedra", na qual os agricultores antigos espalhavam rochas e pedras esmigalhadas pelo terreno de diferentes maneiras.

Pedras maiores, por exemplo, "quebravam" o fluxo de vento pela plantação, diminuindo variações de temperatura que poderiam ser prejudiciais para a lavoura e minimizando os riscos de evaporação e dessecamento das plantas. Os fragmentos de rocha também podiam transferir minerais essenciais para o solo quando chovia, aumentando a produtividade.

Estimativas sobre a quantidade original dos "jardins de pedra" em Rapa Nui já tinham sido feitas antes com base em imagens de satélite. Mas sua confiabilidade era baixa, confundindo áreas reais de lavouras antigas com estradas modernas e outros acidentes geográficos.

Os atrativos

Praias, vulcões, moai, cavernas, caminhadas com belas paisagens, restaurantes e shows - atrativos não faltam na Ilha de Páscoa, basta ter pique suficiente para conhecer todos eles. Muita gente diz que a ilha é pequena e que dois dias são suficientes para conhecê-la, e o ponto de vista não deixa de ser verdade; recomendamos, no entanto, quatro dias no destino para ver tudo com calma e fazer valer o tempo gasto dentro do avião.

O primeiro local que indicamos visitar é o Museu Antropológico. O local, na verdade, não é tão interessante quanto os moai, mas vale muito a pena pelo conteúdo escrito nos painéis. Conhecer os acontecimentos e a história de Páscoa é fundamental para entender os pontos turísticos da ilha sem gastar muito.

Como são muitos os atrativos, tente selecioná-los de acordo com seu tempo. Entre os lugares mais importantes e que você não deve deixar de visitar, inclua: Orongo e Rano Raraku, as duas únicas atrações que necessitam de ingresso; Ahu Tongariki, Anakena, Rano Kau e o Ahu Tahai - o melhor local para terminar a tarde. Para ir além do pacotão básico, vá a Ahu Akivi, Ahu Vaihu, Akahanga e Ana Kai Tangata. Quando chegar a noite, não pense que o dia terminou. Permita-se fazer um bom jantar, com direito a frutos do mar e peixes frescos e, se ainda tiver ânimo, vá a algum dos shows de dança que o local proporciona, pois vale a pena!

A ilha é ótima em qualquer época! Como está no meio do oceano tem variações de temperatura, mas nada que prejudique. Para mergulho sempre é bom ver as tábuas da maré, mas mesmo com chuva consegui mergulhar. A ilha tem ótimos hotéis e pousadas. Para quem não planeja alugar um veículo, o ideal é ficar nas proximidades da rua principal de Hanga Roa (Atanu Tekena) e da Av. Te Pito Ote Henua (da praia até a igreja); quem alugar um carro ou moto pode escolher com maior facilidade qualquer local para se hospedar.

Como chegar

A Ilha de Páscoa está a cerca de 3700 km da costa chilena e 6 horas de voo, a partir de Santiago. Para chegar ao lugar, não há outros meios disponíveis além do avião. Atualmente, a única empresa a voar para o destino é a LAN, com cerca de 8 voos semanais partindo de capital chilena. Apesar do monopólio da LAN e do preço (normalmente alto), um ponto positivo é que o avião escolhido para a viagem é de grande porte (Boeing 767-300).