09 de julho de 2026
BEM-ESTAR & CIA

No sangue, os segredos da vida longa


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Estudo aponta que pessoas com 100 anos apresentam níveis mais baixos de glicose

O segredo de uma vida longa pode ser revelado pelo sangue. Segundo um estudo feito por pesquisadores do Instituto de Medicina Ambiental Karolinska, na Suécia, e do Centro Nacional Cerebral e Cardiovascular, no Japão, pessoas centenárias apresentaram níveis mais baixos de açúcar no sangue do que as que viveram menos tempo.

Os autores dizem que o estudo é o primeiro de grande porte a investigar o sangue de centenários em busca de biomarcadores relacionados à expectativa de vida.

Além dos níveis baixos de glicose, apareceram como fatores de destaque, entre as pessoas que viveram mais, índices reduzidos também de ácido úrico e creatina.

Rins e fígado

O bom funcionamento de rins e fígado também foi observado como ponto de intercessão entre os mais longevos. Estes apresentaram funções renais e hepáticas mais saudáveis.

Os pesquisadores acreditam que o estudo, divulgado na revista GeroScience - publicação científica voltada para a biologia do envelhecimento e trabalhos sobre doenças crônicas relacionadas com a idade -, pode ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos que prolonguem a vida. Mas admitem que serão necessárias pesquisas que confirmem a validade das descobertas.

Até porque o estudo não considerou o impacto do estilo de vida ou a questão genética na chance de uma pessoa chegar aos 100 anos.

Os cientistas das duas instituições analisaram exames de sangue de mais de 44 mil idosos. As amostras foram coletadas por mais de 30 anos.

Dos participantes que tiveram o sangue analisado, 1,2 mil chegaram ou ultrapassaram os 100 anos.

Segundo uma das autoras do estudo, a professora de epidemiologia Karin Modig, "aqueles que chegaram ao centésimo aniversário tendiam a ter níveis mais baixos de glicose, creatinina e ácido úrico a partir dos 60 anos".

Como foi a análise dos biomarcadores

No estudo, ao longo dos mais de 30 anos de análise, os pesquisadores compararam 12 biomarcadores no sangue de pessoas com 100 anos ou mais com os de outras com vidas mais curtas.

Entre os marcadores utilizados estão: ácido úrico, relacionado à inflamação; colesterol total e açúcar no sangue, marcadores do metabolismo; creatinina, uma medida da função renal; ferro, ligado à anemia; e albumina, proteína que sinaliza doenças hepáticas ou de fundo renal.

Ao observar a diferença entre os que chegaram aos 100 anos e os que morreram antes, os cientistas descobriram que dez dos 12 biomarcadores mostraram uma conexão com a probabilidade de a pessoa vir a ser centenária.

O estudo mostrou que os valores medianos não diferiam significativamente entre centenários e não centenários, para a maioria dos biomarcadores.

Um detalhe que chamou atenção foi a importância da constância: quem chegou aos 100 anos raramente apresentou nível muito alto ou muito baixo de qualquer dos marcadores.