Moradores de Bauru que vivem em condomínios fechados localizados às margens da rodovia Engenheiro João Baptista Cabral Rennó (SP-225), a Bauru-Ipaussu, estão se mobilizando para reivindicar a redução da velocidade máxima permitida no trecho cujo adensamento populacional vem se intensificando nos últimos anos, do trevo da Eny (entroncamento com a rodovia Marechal Rondon) até o limite com o município de Piratininga.
Alertando sobre o aumento de empreendimentos residenciais naquela região da cidade, eles pedem para que o limite seja alterado de 110 quilômetros por hora (km/h) para 80 km/h também no segmento entre o trevo da Eny e o Vale do Igapó, onde a SSP-225 recebe o nome de rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (Bauru-Jaú).
A modificação a este patamar, padrão de operação dos trechos urbanos das demais rodovias que cortam o município, tem apoio da Polícia Rodoviária. Segundo o professor e empresário Leandro dos Santos Rosa, representante dos moradores do Residencial Samambaia, a intenção é fazer um abaixo-assinado e encaminhá-lo à Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).
Levantamento oficial obtido por Rosa mostra que, em 2023, 67 acidentes foram registrados em um trecho de treze quilômetros, entre o km 229,8, na altura do bairro Tangarás, próximo ao trevo de acesso ao prolongamento da avenida Rodrigues Alves, até o km 242,9, limite com o município de Piratininga. Como resultado destas ocorrências, 37 pessoas tiveram ferimentos leves, 11 ficaram gravemente feridas e uma morreu.
Já de janeiro a maio de 2024, houve 11 sinistros de trânsito, com duas vítimas leves, duas graves e uma fatal. O óbito foi de um motociclista de 30 anos, que perdeu a vida em 20 de março, próximo ao trevo da Eny, ao ser atingido na traseira por um caminhão. Na última sexta-feira (14), um bebê de nove meses 7morreu e três pessoas tiveram ferimentos graves em um capotamento seguido de colisão na altura do Vale do Igapó.
"É inconcebível. Só na SP-225 o limite de velocidade no trecho urbano de Bauru não é 80 km/h. A vai evitar mais mortes, porque temos o Hospital da Unimed, o Zoológico, a Unesp, o Tangarás e vários outros bairros margeando a pista. E, agora, vários condomínios estão saindo, o Alphaville, Tamboré, Guestier, Villa de León e ainda tem o Lago Sul, Villaggios, com milhares de moradores e prestadores de serviço trafegando pela rodovia, que vai acabar se transformando em uma grande avenida", pondera Rosa.
Comandante da 1.ª Companhia do 2.º Batalhão de Polícia Rodoviária, o capitão Gabriel Eleutério Garcia revela que, em 2016, a corporação já havia solicitado à concessionária Centrovias, que administrava a Bauru-Jaú à época, um estudo técnico para avaliar a viabilidade de reduzir o limite de velocidade a 80 km/h entre o trevo da Eny e o Vale do Igapó, trecho com índices mais críticos de acidentes. "Após a análise de diversos quesitos e estatísticas, a conclusão foi de que a alteração não era oportuna naquele momento. Mas, agora, estamos diante de um cenário completamente diferente, inclusive com aumento do fluxo de veículos pesados e lentos, por conta da chegada da Bracell", observa.
Em razão disso, o capitão fez contato com a concessionária Eixo, que administra a Bauru-Jaú, a fim de reforçar o pedido de mudança do limite de velocidade no trecho a 80 km/h. O requerimento foi estendido à Cart, que já construiu pistas marginais no segmento da Bauru-Ipaussu que passa por Bauru justamente por conta do aumento da circulação de veículos.
"À Cart, solicitamos a redução da velocidade do trevo da Eny até o trevo de Piratininga. Com a medida, com certeza a gravidade dos sinistros vai diminuir", frisa. Ambas as concessionárias informaram que pediriam estudos técnicos à Artesp.