09 de julho de 2026
NAS ESCOLAS DE SP

Projeto de banir celular esbarra na educação digitalizada

Por FolhaPress |
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Uma lei que proíba celulares nas escolas vai acelerar o processo de afastar os alunos das telas

O novo projeto de lei que prevê banir os celulares em escolas públicas e privadas do estado de São Paulo esbarra no sistema de educação centrado em plataformas digitais implantado pelo governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) na rede estadual.

Em um debate sobre a proposta que aconteceu na Assembleia Legislativa, na noite da última segunda-feira (10), médicos, pais e educadores falaram sobre os prejuízos dos smartphones ao aprendizado e à saúde física e mental de crianças e jovens.

Ao final, quando o debate abriu para o público, uma professora da rede paulista chorou, dizendo que hoje é impossível impedir o uso do celular nas escolas porque, nas palavras dela, vivemos uma epidemia de plataformas digitais na educação paulista ?o secretário de educação, Renato Feder, defende que a tecnologia é essencial para auxiliar os professores no processo de recuperação e melhora da aprendizagem.

A professora relatou que o corpo docente é pressionado a cobrar que os alunos acessem as plataformas, e, como não tem computador ou tablet para todos, o celular acaba tendo que ser usado, e a maioria se distrai em redes sociais.

Ela disse ainda que o uso de uma ou outra plataforma pode ser interessante, mas que atualmente há excesso.

Esse tem sido um relato comum. Uma outra professora contou à Folha que, depois da pandemia, havia entre os docentes uma tentativa de conter o uso dos celulares pelos alunos, diante do aumento da ansiedade e da falta de atenção, mas que, no ano passado e neste, com a implementação de uma série de plataformas do governo Tarcísio, a orientação teve que ir no sentido contrário: usar mais o celular.

A deputada Marina Helou (Rede), autora do projeto de lei que prevê a proibição dos celulares nas escolas, disse que há integrantes da Secretário da Educação sensíveis ao debate sobre os impactos negativos dos celulares.

"Temos que fortalecer o debate, porque esse é um assunto novo, e precisamos convencer o governador. Temos que marcar reunião com ele, com o Renato", disse a deputada, que começou a visitar escolas para debater o projeto de lei.

O Movimento Desconecta, formado por famílias que defendem o banimento dos celulares nas escolas, estava presente ao debate da Alesp. Baseado em pesquisas sobre os danos do uso dos aparelhos, o movimento propõe que os pais não deem smartphones a crianças e adolescentes até os 14 anos e que as redes sociais só sejam usadas após os 16.

O grupo afirma que uma lei que proíba os celulares nas escolas vai acelerar o processo.

"É injusto e irresponsável de nossa parte esperar que crianças e adolescentes consigam mudar hábitos que nós adultos não conseguimos; essa tecnologia foi criada para viciar", disse Fernanda Cytrynowicz, uma das fundadoras do movimento.

Também participaram do evento da Alesp dois pediatras engajados na campanha pela proibição dos celulares nas escolas, Daniel Becker e Paulo Telles. Ambos mencionaram pesquisas que evidenciam uma série de prejuízos dos smartphones na infância e na adolescência.

"Danos cognitivos, obesidade, miopia, problemas auditivos... São inúmeros", afirmou Telles. "Os smartphones são prejudiciais para as sinapses, para a arquitetura do cérebro, que está em formação nessa fase. Estamos minando o cérebro de nossas crianças", afirmou ele.