11 de julho de 2026
CULTURA

‘Sobre Viventes’, um livro de memórias


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Isabela Holl/Reprodução
O médico Jadyr Gabriele assina capítulo no livro de memórias “Sobre Viventes” (foto ampliada no final)

O médico de Bauru Jadyr José Gabriele é autor de um dos capítulos do "Sobre Viventes", livro que assina junto com os seus colegas da turma de 1961 da Universidade Federal do Paraná (UFPR). O duplo sentido do título não é à toa. Os egressos de medicina, após décadas de carreira já consolidada, contam na obra suas respectivas histórias e contribuições ao ofício e às cidades onde atuam.

"Éramos uma turma muito unida. Nós fazíamos vários encontros. Quando completamos 50 anos de formados, decidimos nos reencontrar anualmente. No começo, eram 124 colegas. Hoje somos cerca de 40 e passamos a nos chamar de sobreviventes", explicar Jadyr.

De acordo com ele, cada profissional foi para um lugar do Brasil. "Tive colegas que trabalharam até em lugares distantes como na Amazônia", ele destaca. Já a trajetória de Jaryr foi mais próxima. Após a formatura, fez 6 anos de residência em angiologia e cirurgia vascular no Hospital das Clínicas em São Paulo. Em 1967, veio para Bauru para encontrar seu irmão mais velho, Nicola Gabriele, também médico.

"Achava que ia encontrar uma cidade adequada para minha especialidade e a minha surpresa foi que eu cheguei aqui e ninguém conhecia a área de cirurgia vascular. Me vi numa vontade de voltar, mas falei: 'não, eu vou enfrentar!", relembra o precursor da especialidade no município.

A partir daí, ele começou uma "luta" para atender pacientes nessa área em Bauru. O começo dessa história ocorreu no Hospital Salles Gomes da Noroeste do Brasil (NOB), pertencente à rede ferroviária.

O médico ressalta que a cidade já era relativamente grande e tinha hospitais, mas nenhum com sua especialidade, cujo foco é o tratamento de veias, artérias e vasos. A aquisição dos materiais era complicada, pois eram importados da Alemanha.

Jadyr também conta que, na época, treinava pessoas que não eram formadas em enfermagem para atuar junto com ele. "Com o tempo, apesar das adversidades, conseguimos formar uma equipe", relembra. Posteriormente, criou sua própria clínica chamada "CardioVascular". Trabalhou por mais de 60 anos, período em que também recebeu homenagens. O médico tributa ainda como legado seus dois filhos, que o seguiram no mesmo ofício. Um deles também atua com vascular e o outro com cirurgia plástica. Ambos montaram uma clínica, que foi o último local de trabalho de Jadyr, atualmente aposentado. Na pandemia, ficou em isolamento e decidiu parar. O autor explica que, por enquanto, foi feita uma pequena tiragem para os médicos, seus amigos e familiares.