Presidente do Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru, o engenheiro Leandro Joaquim disse ao JC na quarta-feira (29), que a autarquia aposta em eventuais novas perfurações na Zona Norte e também na otimização dos poços já existentes naquela região.
"Em geral precisamos de 150 metros cúbicos de água por hora para abastecer a Zona Norte de Bauru. Com uma captação de água superior a essa, conseguiremos enviar o remanescente aos outros reservatórios", afirma Joaquim.
Segundo o presidente, a autarquia tem observado que a vazão dos poços da Zona Sul não correspondeu ao esperado - exceção feita ao da Praça Portugal. "A perfuração de poços nessa região tem baixa produção de água. Em contrapartida, a Zona Norte tem recurso hídrico abundante. O próprio poço do Mary Dota produz 250 metros cúbicos por hora", explicou.
Isso significa que, ao menos neste momento, o DAE descarta investir em novos reservatórios.
"Para se ter uma ideia, se aumentarmos em um metro a profundidade da lagoa teremos 180 mil metros cúbicos a mais de reservação. São 180 milhões de litros. O DAE produz hoje 900 litros por segundo, em média geral. O metro a mais rende cinco dias a mais de abastecimento. Nós tivemos 40 [dias] de seca", lembra Joaquim.
Fora isso, diz Leandro, o foco também se volta a interligar poços com baixa atividade e aumentar a produção deles. A captação no Jardim Alphaville, por exemplo, fica ligada apenas 4 horas por dia. O Estoril Premium, 2 horas.
"Somando a interligação dos poços Chácaras Cardoso, Estoril Premium e [Jardim] Imperial, teremos 300 mil litros por hora. E nós utilizamos 100 mil litros por hora/dia. Haverá uma sobra, nesse sentido, de cerca de quatro milhões de litros ao final do dia. Já é um terço do que precisamos para compensar a falta de água na lagoa", explica.
O restante, diz o presidente, será obtido com outras manobras de interligação - como a que envolve o núcleo Octávio Rasi com o Vargem Limpa. "Isso vai auxiliar o abastecimento do Jardim Redentor e do Geisel", explica.
A medida, na prática, garante alívio substancial ao poço Infante dom Henrique, que envia água também para o Geisel e poderá ser aproveitado em sua integralidade na região que ocupa - próxima ao Bauru Shopping e Zona Sul.
O presidente do DAE afirmou também que está em vias de contratar um estudo para combater a proliferação de macrófitas na lagoa de captação do Batalha. As plantas aquáticas prejudicam a água e são consequência, entre outras coisas, do alto grau de assoreamento.
"Primeiro vamos retirar as plantas e na sequência avaliar, através de um radar, a profundidade da lagoa em cada um de seus cantos. Isso nos dará uma diretriz sobre o melhor ponto para atacar [com projetos de desassoreamento]", observou.
O desafio está na crise climática - que veio para ficar, diz Joaquim. "O aquecimento de 1,5° C, antes previsto para 2027, já chegou. Mas as pessoas ainda não têm a noção do impacto disso. Degelo de calota polar, aumento do nível do mar, alteração do regime de chuvas", explica.
Os primeiros grandes sinais desse problema vieram em 2014, com a dura estiagem que provou crise no sistema Cantareira - a represa que abastece São Paulo -, mas cujos efeitos foram sentidos também em Bauru. Naquele ano, a lagoa de captação do Batalha chegou a mísero 1 metro de altura enquanto o ideal seriam 3,2 metros.
Isso indica que fenômenos climáticos terão "picos" e levarão a população a testes nunca antes presenciados. Em 2022, lembra Joaquim, Bauru recebeu de uma única vez 150 milímetros de chuva. "Imagina o que aconteceu em São Sebastião, com 600 milímetros em questão de horas", complementa. "A coisa é grave".