10 de julho de 2026
CULTURA

Demi Moore ataca etarismo em ‘The Substance’

Por FolhaPress |
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação
Demi Moore, em Cannes

Musa de "Ghost", Demi Moore fez das tripas coração e fez jorrar sangue das telas do Festival de Cannes na noite deste domingo (19), em que apresentou "The Substance", ou a substância. Sob a direção da francesa Coralie Fargeat, Moore narrou uma história que é provavelmente muito pessoal, ao encarnar uma atriz celebrada entre os anos 1980 e 1990 que, quando chega na casa dos 50 anos - "tão temida pelas mulheres de Hollywood" - cai em ostracismo.

Demitida do programa de TV que apresentava sob os argumentos machistas e etaristas do chefe, sua personagem entra numa crise de imagem, deixando de ver beleza num rosto que, até então, estava exposto numa enorme moldura na sala de sua casa. Em desespero, ela encontra uma misteriosa farmacêutica que oferece a ela o elixir do rejuvenescimento. Ela o toma e, de dentro de seu corpo, vê sair uma versão mais jovem de si, interpretada por Margaret Qualley, que com sua beleza logo conquista o país.

Enquanto uma versão mais velha fica em casa, a outra sai para viver uma série de excessos, como se "The Substance", ou a substância, fosse um "Retrato de Dorian Gray" moderno e feminista. Aqui, também, a juventude e a beleza são absolutamente viciantes. Fargeat está em terreno conhecido, repetindo a fórmula de denúncia do patriarcado escrita em sangue, como fez em "Vingança", que a fez ganhar notoriedade há sete anos. No filme de agora, os homens também são todos machistas ou covardes. Asquerosos, não sofrem com o passar do tempo da mesma forma que as mulheres.

"The Substance" causa repulsa, também, por abraçar violentamente o body horror, subgênero em que o terror, gráfico, é criado a partir da violação do corpo. Nem por isso deixa de ter seus momentos engraçados, num humor provocativo. É das tramas mais fortes apresentadas em Cannes até aqui.