Só por milagre? O estádio Antônio Milagre Filho, o popular Milagrão, em Bauru, que era para ser um Centro de Atletismo de alto rendimento e referência nacional, está completamente abandonado e deteriorado. E o atual governo não tem previsão para resolver o problema. Há no local um “esqueleto de concreto” não finalizado e a pista de corrida, que custou R$ 4,5 milhões em 2012, palco, inclusive, de Jogos Abertos do Interior, se deteriorou completamente sem a mínima manutenção regular nos últimos 5 anos. Enquanto a reportagem fazia fotos no local, uma mulher tentava caminhar e acabou tropeçando nas “bolhas” da pista que solapou e ficou inutilizável. Por pouco, o exercício físico desta munícipe não virou ferimentos nas pernas.
Conforme o JC vem noticiando, o valor da modernização deste espaço esportivo, situado na quadra 9 da avenida Waldemar Guimarães Ferreira, entre o Jardim Prudência e o Nova Esperança, região Noroeste, estava em contrato no valor de R$ 2.209.710,11, sendo R$ 1.805.000,00 de um repasse federal do convênio entre a prefeitura e o Ministério do Esporte. E ainda houve a divulgação de uma contrapartida do município de R$ 404.710,11.
Compreende este projeto a modernização das arquibancadas, posto de apoio e prédio com vestiários e sala de fisioterapia. No entanto, agora precisa entrar nesta conta a construção de uma nova pista de R$ 4,5 milhões.
A prefeitura também precisa discutir com a Caixa a situação do convênio com o governo federal, que foi assinado há vários anos e não entrou na pauta de prioridade do governo.
ENTENDA O CASO
Depois da entrega da pista em 2012, no final de 2019 começaram as obras que objetivavam a modernização do complexo. A entrega original era para ter sido feita em março de 2020. Isso não aconteceu. No início de 2021, o contrato das reformas foi rompido unilateralmente pela Prefeitura de Bauru.
Conforme publicação no Diário Oficial à época, a administração notificou a empresa terceirizada pelo não cumprimento da execução do serviço que originalmente era para ter sido finalizada em março de 2020. Houve, então, uma prorrogação para abril de 2021, mas a construção ficou paralisada com 31,4% de obras executadas. A prefeitura aplicou à época uma multa proporcional ao contrato da terceirizada, no valor de R$ 372.453,35. A empresa ainda ficaria impedida de participar por seis meses de novas licitações do município.
A Prefeitura de Bauru e a terceirizada divergiram, no final de 2019, por conta do tipo de estaca que deveria ser usada na fundação, porque o solo deste local pede o modelo que está no edital, explicou na época a Secretaria de Obras. Houve ainda um pedido de aditivo de verba feito pela construtora, mas a alteração foi negada pelo município. A Secretaria de Obras e a Semel aguardaram pela retomada dos trabalhos em 2021, o que não foi feito, segundo as pastas.
POSICIONAMENTO
O titular da a Secretaria Municipal de Esportes hoje é Alexandre Zwicker. Em nota, a Semel, por meio da assessoria de imprensa da prefeitura, disse que a obra do Milagrão teve o valor do serviço orçado na época em 2 milhões com os recursos destinados para a construção de banheiros, vestiários e acessibilidade.
“Ocorreu um problema de ordem técnica junto à construtora, e com isso perdeu-se o prazo para a execução da obra e, em função disso, rescindiu-se o contrato com a empresa. Para tentar viabilizar a obra, a prefeitura desmembrou a parte jurídica do processo de licitação com o que já havia sido realizado, e atualizar o custo do que falta para concluir. Com isso, a prefeitura tem trabalhado para a conclusão da obra. O processo está na Secretaria de Obras para atualização dos valores para o término da acessibilidade, banheiro e vestiário”, enviou em texto a Semel.
CULPA DO SOL E DA CHUVA
Questionada sobre a falta de manutenção na pista milionária de atletismo, a Semel atribui a culpa ao sol e às chuvas. E isso gera outro questionamento: a única forma de preservar a pista seria se o estádio fosse completamente coberto?
“O orçamento da troca da pista de atletismo está orçado em R$ 4,4 milhões e não está no processo da Secretaria de Obras. Essa ocorrência na pista ocorre com o passar do tempo em função da exposição ao sol, chuva e não está relacionado ao mau uso, uso indevido ou excesso. À época da construção da pista de atletismo, não foi feita a infraestrutura necessária para esta obra. Os valores para a construção da pista, não estão orçados neste momento. A pasta informa que os recursos disponíveis são para a construção de banheiros, vestiários e acessibilidade”, finaliza o texto, sem informar prazo para resolver o problema.