10 de julho de 2026
REGIONAL

Bacia do rio Lençóis entra em estágio crítico para baixa vazão

Por Lilian Grasiela | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
CBH-RL/Divulgação
Déficit foi de 1.000 milímetros

A Câmara Técnica do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Lençóis (CBH-RL) divulgou, nesta sexta-feira (10), os resultados apurados dos índices de chuvas das modelagens hidrológicas dos primeiros meses de 2024. No acumulado total, as cotas nominais livres, que são os números descontados os déficits pluviométricos, estão negativas, e beirando índices críticos. A mesma situação, segundo o órgão, é enfrentada pela bacia do rio Batalha (leia mais abaixo).

Entre janeiro e abril de 2024, as cotas pluviométricas livres contabilizaram déficit de 1.000 mm. "Isso corresponde às recargas hidráulicas que seriam suficientes para suportar quatro meses de estiagem normal", explica o órgão. "Essa situação se agravou na região em razão das chuvas finais de 2023 não terem precipitado na área da bacia, principalmente, nas áreas das bacias hidrográficas dos rios Batalha e Lençóis".

De acordo com a Câmara Técnica, desde quando começaram as medições de chuvas na bacia do rio Lençóis, somente em três oportunidades esses registros ficaram negativos. "Segundo a Carta Hidrológica, documento histórico de 1917 da bacia do rio Lençóis onde são registradas as modelagens hidrológicas, em 107 anos, somente em 1966 foi registrado o mês de janeiro com os menores índices de chuvas na área da bacia", revela.

REFLEXOS

O órgão do CBH-RL revela que a situação já resulta em redução na geração de energia elétrica. "Caso não haja volumes de recargas suficientes por meio de chuvas potenciais, a bacia do rio Lençóis pode entrar em colapso e reduzir a disponibilidade de água para abastecimentos públicos e privados", alerta.

"As perdas hidráulicas das contribuições de montantes da bacia do rio Lençóis chegaram a 69%, superando os 64% registrados em 2021.Quando as perdas hidráulicas atingem patamares superiores a 70%, os riscos de indisponibilidades hídricas aumentam potencialmente", complementa.

Ainda conforme o órgão técnico, caso não chova o suficiente, as principais bacias hidrográficas da região não terão reservas hídricas suficientes para atravessarem os meses de junho, julho e agosto, onde geralmente contabilizam os maiores picos de estiagens. "Os municípios devem se preparar para os riscos de indisponibilidades com medidas emergenciais de contingenciamentos", declara.

CÂMARA

De acordo com publicação da CBH-RL, a bacia do rio Batalha, de mesmas características hidrogeológicas da bacia do rio Lençóis, entrará em colapso hidráulico em poucos dias, segundo as medições recentes de contribuições de montantes.

"As contribuições de montantes chegaram a níveis de baixa vazão severos", diz. "As condições mais críticas, segundo o levantamento feito, estão nas áreas de recargas do município de Bauru, após contribuições de Agudos. As perdas hidráulicas das contribuições de montantes da bacia do rio Batalha chegaram a 82%".