Chamas consumiram parte da vegetação próxima ao Sambódromo de Bauru, neste domingo (5), informaram equipes da Polícia Militar (PM). A corporação e moradores das imediações atribuem o problema à situação de abandono do local, onde existem moradias improvisadas. A vizinhança relata, inclusive, ter flagrado uso de drogas nas arquibancadas, adotadas também como ‘motel’, à luz do dia.
No caso do incêndio, debelado pelo Corpo de Bombeiros, é possível que alguém tenha ateado fogo em sacos de lixo, situação que fugiu ao controle. Diante do contexto, o munícipe Alexandre Erba, 50 anos, como faz há anos, reivindicou melhorias ao Sambódromo, nesta segunda-feira (6), ao JCNET e ao programa Cidade 360º, uma parceria da rádio 96FM com o JC e o site.
Ao vivo, ele relatou que, na última terça-feira (30), uma família de vizinhos passeava pela rua Fortunata Dalla Ru Vannuzini, quando se deparou com ato sexual, por volta de 15h. Pior: o flagrante é recorrente em outros dias da semana.
Palco de tantas alegrias e manifestações culturais da cidade, o Sambódromo segue com sinais visíveis de abandono, com muito lixo acumulado no entorno. Existem também pessoas em vulnerabilidade vivendo no endereço.
“Está uma desordem generalizada. E eu já procurei a prefeitura inúmeras vezes antes de procurar a imprensa. A quantidade de lixo assusta, daria para encher no mínimo uns quatro caminhões”, destaca Alexandre Erba.
Em novembro de 2023, o JCNET já havia reportado a mesma situação. Na ocasião, a Secretaria de Bem-Estar Social (Sebes), com apoio da Polícia Militar, levou equipes até o Sambódromo para acolher as pessoas em vulnerabilidade. Entretanto, dois meses depois, a situação de abandono voltou ao endereço, situação que segue até hoje, sem solução.
O JCNET entrou em contato com a prefeitura na manhã desta segunda-feira (6). Por meio de nota, o governo informou que realiza manutenção com frequência no Sambódromo e abordagem social com a população em situação de rua. A licitação para a contratação do projeto para a reforma do espaço foi aberta, com o pregão previsto para o início de junho. Ainda segundo o Município, após a elaboração do projeto, a prefeitura terá o custo detalhado da reforma e poderá iniciar o processo de contratação das obras.
RECUPERAÇÃO
Há quatro anos, logo após o Carnaval de 2020, o Sambódromo foi interditado por conta de uma grande erosão, conforme o JCNET noticiou. A recuperação da passarela custará cerca de R$ 10 milhões, estima a Secretaria Municipal de Obras, com base na sondagem contratada para definir quais intervenções serão necessárias para restabelecer a utilidade do local.
Na tentativa de garantir o custeio do trabalho naquela área, a pasta incluiu a obra no pacote de pedidos de financiamento feito pelo município ao governo federal, por meio do novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). Até o momento, não houve retorno a respeito da solicitação, protocolada em novembro passado.
Por conta da erosão, foi firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre MP e prefeitura para a realização do serviço de sondagem de solo e análise geotécnica de toda a área considerada de risco. A conclusão foi que a área subterrânea e o entorno do terreno, em vários pontos, têm risco de colapsar por infiltração de água de minas ou possíveis galerias rompidas. Agora, a prefeitura vai contratar um projeto executivo para resolver indicando todas as obras que serão necessárias para recuperação do solo e das estruturas do local.