Tudo estava acontecendo naquele momento, eu me encontrava atordoada, então fui para o único lugar em que sentia que nada importava, somente o fato de estar lá, e isso realmente me acalmou. Depois de um tempo, percebi que não estava sozinha, havia um homem naquele terraço, quieto, em confronto com os próprios pensamentos.
Ele se apresentou, se chamava Ryle, e foi honesto desde o começo, revelou-me seus sentimentos e formamos uma amizade. O tempo foi passando e logo começamos a namorar, era tudo tão maravilhoso, ele era lindo, tratava-me bem, parecia ser o homem perfeito, e por um momento, eu realmente acreditei que estava em um conto de fadas. Casamo-nos depois de dez anos de namoro, eu confiava cegamente nele, e creio que ele em mim. Estávamos em um dia como todos os outros e ele tinha decidido fazer o jantar, porém, quando foi retirar a comida do forno, queimou sua mão, e eu comecei a rir, aquele riso de desespero, sabe? Ele ficou muito bravo e me deu um tapa. Na hora em que aconteceu, fiquei em choque e deixei passar, acreditando que não se repetiria.
O tempo foi passando e a cada surto que Ryle tinha, me batia cada vez mais, e em lugares estratégicos de meu corpo, para que minhas roupas cobrissem os hematomas. Eu sempre o perdoava, até mesmo quando me estuprava, porque sempre acreditava no que falava e que mudaria. Até que tomei consciência , aos poucos, de que ninguém merece passar por esse tipo de coisa. Então decidi pedir o divórcio, com muita dor no coração, mas com a sensação de que estava fazendo a coisa certa, encerrando esse ciclo, isso não se repetiria com nossa filha. O medo passou a ser minha companhia constante.
E é assim que acaba.