11 de julho de 2026
BAURU

Entrevista da Semana: Roberto Ferreira; Guardião dos Veteranos

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Tisa Moraes
Roberto Ferreira construiu carreira versátil na PM

Terceiro sargento reformado, Roberto Ferreira, 55 anos, construiu uma carreira versátil na Polícia Militar e, com a aposentadoria, em 2016, passou a dedicar-se integralmente à regional Bauru da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Com nítido carinho por seu trabalho na entidade, da qual já foi presidente, é, atualmente, sócio convocado responsável pelo Setor de Veteranos e Pensionistas.

Comprometido com o bem-estar de policiais reformados e suas famílias em 38 municípios, coordena ações de apoio emocional e material, com tratamento humanizado aos veteranos do Corpo de Bombeiros, Polícia Rodoviária, Polícia Ambiental, Grupamento Aéreo e Policiamento Militar em condições delicadas de saúde. Nascido em Bauru, Roberto é casado com Marili, com quem teve Vinicius, 27 anos e Vitor, 19 anos.

Ao longo de sua carreira na PM, iniciada em 1990, desempenhou várias funções, desde o policiamento interno na Assembleia Legislativa de São Paulo até grandes operações na Polícia Ambiental, onde atuou por mais de duas décadas. É dono de uma trajetória permeada por momentos singulares, incluindo caronas em Brotas do cantor João Paulo, que fez dupla com Daniel.

Com a aposentadoria, Roberto canalizou 100% do seu empenho à associação e, como presidente, ajudou a garantir o crescimento da entidade e o fortalecimento dos serviços prestados. Leia, abaixo, os principais trechos da entrevista concedida por ele ao JC, em que relembra momentos marcantes da vida pessoal e profissional.

JC - Você está na associação desde quando e que trabalhos desenvolveu?

Roberto - Estou desde 2011 na diretoria e fiquei na presidência de 2014 a 2018. Em seguida, fui indicado pelo atual presidente estadual, Milton Vieira, para assumir o Setor de Veteranos e Pensionistas. É um trabalho muito gratificante, do qual me orgulho. Em toda região, damos apoio a pensionistas após a morte do veterano. Temos um auxílio funeral e fazemos até a documentação para dar entrada no pedido. Acompanhamos veteranos acamados, com problemas de saúde. Toda manhã, ligo, mando mensagem ou um cartão aos aniversariantes do dia. A associação também doou, recentemente, cerca de oito aparelhos auditivos recebidos de uma empresa do ramo, com autorização da central em São Paulo, e fez todo acompanhamento prévio dos pacientes. Também cedemos aparelhos ortopédicos, cama hospitalar, cadeira de rodas, cadeira de banho, fraldas geriátricas. É uma forma de reconhecer o serviço que estes policiais prestaram à sociedade.

JC - Vamos ao início da sua trajetória. Quando ingressou na Polícia Militar?

Roberto - Eu me formei como soldado em 1990 e fui para São Paulo, trabalhar no policiamento interno da Assembleia Legislativa. Tive muita ajuda dos deputados Osvaldo Sbeghen e Roberto Purini. Eu usava farda, talabarte branco, bota preta, cadarço branco. Era chique. Fiquei cerca de um ano e foi uma passagem tranquila. Quando um amigo comentou que estava indo para a Polícia Florestal, me interessei. Fiz prova em São Paulo, fui aprovado e poderia pedir transferência para Bauru, mas só tinha vaga em Barra Bonita e Brotas. E fui para Brotas, quando não havia muito turismo ainda. Eu pegava carona em caminhão de Bauru até o trevo de Brotas e seguia a pé até a base, beirando o Rio Jacaré-Pepira. Muitas vezes, o cantor João Paulo, que estava no início da dupla com o Daniel, parava para oferecer carona no Fusca dele, porque um cabo de Brotas tocava na banda.

JC - E quando veio para Bauru?

Roberto - Consegui transferência depois de um ano e meio. Trabalhei por 23 anos na corporação, peguei a transição da Polícia Florestal para Ambiental e fui homenageado com a medalha de terceiro grau, uma honraria da PM. Sou da época em que medíamos desmatamento com trena, não tínhamos GPS. Fiz muita apreensão de caça, armas. Foi um trabalho muito gratificante, mas, em 2014, quando assumi a presidência da associação, precisava de um horário flexível e fui convidado pelo Coronel Airton a assumir uma função administrativa no Comando de Policiamento do Interior 4. Em 2015, soube de uma vaga para atuar na guarda, à noite, do Grupamento Aéreo. Como, na Polícia Ambiental, eu tinha feito policiamento aéreo rural, conhecia todos e ainda conseguiria conciliar o trabalho com a presidência da associação. Fiquei lá até julho de 2016, quando me aposentei.

JC - Você estava na metade da sua gestão na associação. Como foi a partir de então?

Roberto - Consegui dar um fôlego maior na gestão, que ganhou duas moções de aplauso da Câmara. Deixei toda a documentação da associação em ordem, ampliamos o trabalho de apoio social. Chegamos a mais de 3 mil associados em Bauru, na época. Recebi homenagens do Corpo de Bombeiros e do CPI-4 pelo trabalho que fiz. Quando entrei na diretoria, fui para a tesouraria e fui criterioso ao estabelecer algumas regras, como a emissão de recibo de aluguéis dos nossos espaços, registro de planilhas no computador. E a Sandra, que convidei há sete anos para trabalhar comigo, foi meu braço direito. Não foi fácil fazer as mudanças necessárias, mas valeu a pena a batalha. Se, até hoje, estou na associação, é pela credibilidade que construí com minha forma de trabalhar.

JC - Essa organização foi importante para ampliar a renda da associação com aluguéis, não?

Roberto - Foi, inclusive porque o salão de festas não tinha banheiro externo, porta corta-fogo. Hoje, os alugueis do ginásio de esportes, salão de festas e área de lazer nos ajudam a investir em melhorias e pagar contas, embora a gente também receba recursos da central de São Paulo.

JC - Quando não está trabalhando, o que gosta de fazer?

Roberto - Gosto de assistir e jogar futebol. Torço para o Palmeiras e já fui muitas vezes ao campo para assistir aos jogos presencialmente. No BTC, temos um grupo bem unido, com um nível de idade bacana. Toda terça tem jogo de truco e, quando posso, estou lá com eles.

O QUE DIZ O SARGENTO REFORMADO

'É um trabalho do qual me orgulho. É uma forma de reconhecer o serviço que estes policiais prestaram à sociedade'

'Peguei a transição da Polícia Florestal para Ambiental.

Sou da época em que medíamos desmatamento com trena'

'Se, até hoje, estou na associação, é pela credibilidade que construí com minha forma de trabalhar'