O Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE) reagiu à reportagem "Novos poços não reduziram a deficiência hídrica em Bauru, revelam dados do DAE", publicada pelo JC nesta quarta-feira (6), e informou que, apesar de o volume de água retirada de alguns poços ter diminuído na relação de metros cúbicos por hora, a produção global - aferida ao final do ano - aumentou.
"No ano de 2023, a quantidade total de água captada dos 42 poços em operação atingiu 35,4 bilhões de litros, representando um acréscimo significativo de 5,7 bilhões de litros em comparação aos 29,7 bilhões captados pelos 31 poços em funcionamento em 2019", afirma a autarquia.
"Apesar da diminuição da vazão média anual de alguns poços devido à redução do nível do Aquífero Guarani, é importante ressaltar que a inauguração e reativação de novos poços e reservatórios, juntamente com as obras de setorização das regiões do Bela Vista, Vila Dutra, Vila Falcão e Alto paraíso, além das extensões de rede de água", prossegue.
O acréscimo na produção, no entanto, não veio a qualquer custo. Segundo o vereador Coronel Meira (União Brasil), autor do pedido de um relatório de comparação das bombas entre 2019 e 2023, esse aumento se deve ao aumento do período em que os poços permanecem ligados.
"Houve, sobretudo, a necessidade de aumento substancial de horas de operação: 14 deles precisaram funcionar por mais do que 22 horas diariamente em 2023", afirma o parlamentar.
Essa sobrecarga sobre os poços, prossegue Meira, causa uma cadeia de problemas - como a maior incidência de queimas nas bombas de captação e o aumento nos custos com energia elétrica.
"Mas também sobrecarrega as reservas do aquífero, que já apresenta sinais de rebaixamento dos níveis de água, a partir da queda da vazão por hora e da entrega pífia, muito aquém do que foi projetado, em poços recém-inaugurados, com destaque negativo para o Alto Paraíso", explica o vereador.
Como noticiou o JC, o poço da região do Alto Paraíso tinha vazão hídrica projetada de 179,43 metros cúbicos por hora - atualmente, a medida está em 18,56 metros cúbicos por hora. A produção do poço localizado na Praça Portugal também é menor do que o previsto inicialmente, mas em menor proporção: o projeto estimava 180 metros cúbicos por hora, enquanto a captação real hoje é de 118,65.