A lagoa de captação do Rio Batalha atingiu, na manhã desta terça-feira (13), 1,29 metro, o nível mais baixo dos últimos anos, o que levou o Departamento de Água e Esgoto (DAE) a informar que precisou reduzir em mais de 40% a retirada de água do manancial, de 350 litros por segundo para 200 litros por segundo.
Com o contingenciamento, o objetivo é recuperar o nível da lagoa responsável pelo abastecimento de aproximadamente 26% da população, para que seja possível retomar a normalidade da produção. Até as 20h desta terça, o nível já havia chegado a 1,85 metro, ainda bem abaixo do patamar considerado ideal, de 3,20 metros.
Conforme o Jornal da Cidade divulgou, moradores da cidade reclamam de desabastecimento desde sábado (10), mas as queixas se multiplicaram neste feriado de Carnaval. Casas de bairros como Vila Ipiranga, Terra Branca, Jardim Solange, Parque Sabiás, Granja Cecília, Jardim Ouro Verde, Jardim Ferraz, Vila São João e Vila Industrial estavam com torneiras secas nesta terça. E há reclamações, ainda, em bairros que não são abastecidos pelo Batalha, como Nova Esperança, Núcleo Mary Dota, Bauru 1 e Parque City.
Segundo o DAE, além da incomum e prolongada estiagem, o aumento do consumo de água na cidade em razão das altas temperaturas e do Carnaval contribuíram para o rebaixamento da represa. Em vídeo publicado em suas redes sociais, a prefeita Suéllen Rosim também atribuiu o problema a gestões passadas e elencou as obras realizadas em seu mandato, como a perfuração de poços, construção de reservatórios e execução de interligações, que reduziram a dependência do Rio Batalha.
"Os governos anteriores deveriam ter tido o mínimo de responsabilidade, ter feito muito mas pelo Rio Batalha, mais poços e não fizeram. Isso recai nas nossas costas e a gente está aqui para enfrentar. Tudo que é humanamente possível nós fizemos e estamos fazendo ao longo destes anos à frente da prefeitura", alegou.
RODÍZIO EXTRAOFICIAL?
Leitores entraram em contato com o Jornal da Cidade nesta terça-feira questionando o motivo de o DAE não estabelecer, formalmente, rodízio no abastecimento, para permitir que a população tenha condições mínimas de planejar sua rotina doméstica. No vídeo postado pela prefeita, uma moradora fez a mesma ponderação.
"Basta avisar com antecedência para que consigamos nos preparar. Mas vocês não assumem que precisa de racionamento e corta a água sem nenhum aviso. Complicado", escreveu. Na mesma postagem, uma moradora da Vila Ipiranga, que está sem água desde sexta-feira, relatou que precisou fazer 50 chamadas ao 0800 do DAE para conseguir solicitar caminhão-pipa nesta segunda-feira, mas a água que não havia sido enviada até terça.
Segundo o DAE, com a queda do nível da lagoa de captação, o fornecimento de água do Centro, Jardins Estoril e América, Altos da Cidade, Vilas Falcão, Universitária e Industrial, Jardins Bela Vista e Ouro Verde, Joaquim Guilherme e Residenciais Parque das Andorinhas, Sabiás e Quinta Ranieri poderá ser comprometido.
"Técnicos da autarquia monitoram a situação em tempo real, redirecionando a produção dos poços e ajustando a quantidade de água captada conforme a disponibilidade de água na lagoa e o consumo da população. Caminhões-pipa próprios e terceirizados fazem a redistribuição da água dos reservatórios Gasparini, IX de Julho e Ype para o reservatório Vila Seca, na Vila Industrial, para garantir o abastecimento das regiões mais prejudicada", informou, em nota.
O DAE recomenda aos consumidores que utilizem a água de maneira consciente e racional, combatendo o desperdício. A solicitação de caminhões-pipa deve ser feita pelo 0800 771 0195, que recebe chamadas de telefone fixo e celular.