09 de julho de 2026
ENTREVISTA DA SEMANA

Evair Deungaro (Dundum): alegria e memórias no ar


| Tempo de leitura: 5 min
Guilherme Matos

Em uma jornada que começou no teatro e o trouxe até os microfones da 96FM, em Bauru, Evair Deungaro, conhecido carinhosamente como Dundum, possui uma história de perseverança e coragem. Nascido em Jaú, em uma família simples, o apresentador e produtor do programa "Túnel do Tempo" mudou-se para Bauru aos 22 anos para ser ator, mas os frequentes elogios sobre sua marcante voz o fizeram migrar para o radialismo.

Após fazer um curso, bateu à porta da Auri Verde e, em seguida, da 96FM, de onde não saiu mais, após pedir ao gerente permissão para acompanhar diariamente o trabalho dos locutores. As oportunidades foram surgindo e o apresentador comandou programas como "Programador 96" e "Hits 96", até assumir, em 2017, o "Túnel do Tempo", após a morte do criador do projeto e amigo, Márcio Augusto.

No programa marcado por nostalgia, um dos mais populares da emissora, Dundum usa a criatividade para interagir com a audiência e resgatar nela boas lembranças, além de contagiá-la com sua alegria e descontração no ar. Em Bauru, além de construir a carreira, conheceu sua esposa, Cristiane Goto, com quem teve os filhos Davi, 9 anos, e Miguel, 4 anos.

Nesta entrevista, o apresentador relembra suas origens, a passagem pelo teatro e a advocacia, fala sobre sua trajetória de ascensão na rádio, o carinho que recebe dos ouvintes e revela como surgiu seu apelido e a expressão "Ai, Dundum", que tornou-se parte de sua identidade radiofônica. Leia, abaixo, os principais trechos.

JC - Conte um pouco sobre sua origem.

Dundum - Vim de uma família simples. Meu pai faleceu quando eu e meu irmão gêmeo, o Evandro, tínhamos 3 anos. Então, minha mãe cuidou praticamente sozinha de mim e meus cinco irmãos e trabalhava como auxiliar de serviços gerais no Fórum de Jaú. Vim para Bauru em 1994, quando o Laerte Morrone, ator da Globo já falecido, veio montar a peça Madre Clélia na USC e fez um teste para atores. Eu fazia teatro em Jaú, passei no teste e fui um dos protagonistas. Depois, participamos de festivais. O Laerte ficou um tempo em Bauru e foi um trabalho muito bonito.

JC - Foi quando mudou-se para Bauru?

Dundum - Sim, eu tinha 22 anos e fui morar em república. E, em uma cidade maior, comecei a abrir meus horizontes. Fui fazendo outras peças, trabalhei com o Paulo Neves, e resolvi fazer faculdade. Quando eu era adolescente, minha tia dizia que eu tinha uma voz bonita e deveria ser jornalista. Então, em 1999, fui cursar jornalismo na USC. Fiz quase um ano, trabalhando de madrugada em uma loja de conveniência, onde todos os clientes elogiavam minha voz. De tanto falarem para eu trabalhar em rádio, tranquei a faculdade e fui fazer curso de radialismo de curta duração no Senac. Terminei, fui na rádio Auri Verde, conversei com o Silvestre e fiquei um mês observando. Depois, fui à 96FM, que ficava na Getúlio Vargas.

JC - Como foi esse início de parceria?

Dundum - Foi em 2000. No primeiro dia, pedi para conhecer a emissora e continuei indo nos dias seguintes, de ônibus ou mototáxi. A Selminha Lopes sugeriu que eu falasse com o gerente, o Luiz Capelin, e pedi, na cara de pau, que ele me deixasse lá até surgir uma oportunidade. Ele autorizou e, um dia, fui chamado para fazer a programação dos spots comerciais e cuidar dos clientes no pós-venda. Foi uma época difícil, porque não sabia nada. Anos depois, tive oportunidade de gravar comerciais e, em seguida, comecei a cobrir folgas dos locutores aos fins de semana. Até que um profissional saiu da emissora e assumi o horário dele, das 23h às 2h.

JC - Que programas você fez? E como define seu perfil como locutor?

Dundum - Quando trabalhei à tarde, fiz o Programador 96, que os ouvintes gostavam muito, e o Hits 96, que tinha as músicas mais tocadas do dia. E, desde 2017, após o falecimento do Márcio Augusto, de quem eu era muito amigo, faço o Túnel do Tempo, das 8h às 11h, um dos programas de maior audiência da rádio. E minha marca é a animação, a boa energia, além de usar a imaginação para buscar, na memória dos ouvintes, as boas lembranças. Sempre tento acordar com alegria para fazer com que o dia de quem está me ouvindo seja bom.

JC - O esse trabalho significa para você?

Dundum - Gosto do que faço, sou apaixonado pelo rádio, que leva entretenimento e informação em tempo real e impacta as pessoas. Tem ouvintes que me reconhecem pela voz, que mandam mensagem dizendo que a gente faz o dia deles melhor. É um feedback valioso. Recebo o carinho de adultos, idosos e também de crianças e jovens que adoram flashback.

JC - Como surgiu seu apelido e a expressão "Ai, Dundum"?

Dundum - No início da carreira, usava o nome Deungaro, mas ficava complicado para os locutores falarem. Até que a Selminha, carinhosamente, acabou me chamando de Dundum e fiquei com esta marca. Depois, o "Ai, Dundum" surgiu de uma brincadeira de promoters, em uma época em que a 96 fazia muita promoção de shows e festas de casas noturnas e bares. Certo dia, essas promoters falaram "Ai, Dundum", eu gostei e as levei no estúdio para gravar. No início, tive receio de ter um tom sensual, mas não: a marca pegou e até as crianças adoram.

JC - Chegou a terminar o curso de jornalismo?

Dundum - Não. O STF tinha derrubado a exigência de diploma para jornalistas, mas queria ter um curso superior e fiz direito. Foram cinco anos conciliando a faculdade com a rádio. Foi puxado, mas deu tudo certo. Trabalhei nas áreas de previdência e empresarial e só parei em 2020, quando a rádio foi vendida e recebi o convite do doutor Germano (novo dono) para assumir a área comercial. Então, passei também a fazer gravação de comerciais e venda de publicidade. A partir disso, não foi mais possível conciliar o trabalho na rádio com o direito.

JC - Nas férias e dias de folga, o que gosta de fazer?

Dundum - Eu jogo tênis, faço crossfit, gosto de assistir a jogos da NBA e NFL, séries e documentários, de ler e ficar com a família, brincando com as crianças, fazendo churrasco. Quando dá, viajamos, mas também ficamos bastante em casa.

 Dundum tocando como DJ em uma das festas do "Túnel do Tempo"

Dundum com os filhos Miguel e Davi e a esposa, Cristiane