10 de julho de 2026
ESPECIAL

Equipes e animais são uma só família; espaço necessita de dedicação integral

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
André Fleury Moraes
Samantha, diretora do Zoológico, alimenta as lhamas após entrevista ao JC, na última quinta

As equipes que trabalham no Zoológico Municipal são visivelmente uma só família. E nisso se incluem também os animais atualmente sob a guarda da instituição.

Samantha Bittencourt, a bióloga de profissão e atualmente diretora do Zoo, define em uma só frase o que significa trabalhar neste local : "é um sacerdócio", afirma, mostrando que o zelo e a dedicação necessários à conservação do espaço precisam estar presentes diuturnamente.

Os cuidados são tomados em todas os setores: da zeladoria dos ambientes dos animais à alimentação deles e do setor administrativo do Zoológico à sala de preparo das rações e demais alimentos consumidos lá dentro.

Em outras palavras, há uma rotina 'escondida' dentro do Zoo por trás do que se vê quando se visita o local. "Temos uma série de protocolos para o manejo de nossos bichos. Cada animal tem sua biologia, tem seu comportamento de grupo", explica.

São normas que regem praticamente tudo o que acontece dentro do espaço. Segundo Samantha, os tratadores de animais são divididos em setores de acordo com a periculosidade do bicho.

Em casos em que o animal não oferece risco, por exemplo, os cuidadores podem entrar dentro do espaço onde ele reside para alimentá-los. Já nas ocasiões em que o perigo existe, como na jaula de um tigre, as equipes conduzem o animal até uma antessala antes de entrar no local e oferecer a comida.

Houve um tempo em que frigoríficos doavam carnes não utilizadas na produção para que o Zoo alimentasse os carnívoros - especialmente a cobra Sucuri -, mas essa parceria acabou. "Temos hoje uma rede de supermercados parceira", explica Samantha.

Os visitantes não sabem, mas a maior parte dos seres vivos hoje abrigados na instituição possuem nomes. Eles não são repassados à população, no entanto, para evitar problemas. "Imagine se todo mundo passasse a chamar cada um por seu nome. O animal seria incomodado o dia todo", explica.

A diretora admite, por exemplo, que ela e os colegas que atuam no Zoológico sempre são afetados quando um animal morre. "Tem coisa que derruba a gente", observa. Esse impacto psicológico, porém, não se limita aos casos de morte. "Basta ficar doente", define Samantha.

Que o diga Elizeu Virgílio Júnior, responsável hoje pelo tratamento dos primatas africanos, tamanduás e aves de grande porte. Ele é servidor do Zoológico há um ano e quatro meses. "É um desafio", garante. "De qualquer forma, é um serviço de que gosto muito. Tem o risco, mas temos protocolos de segurança".

Júnior conta, por exemplo, que os macacos babuínos são os mais complicados. "Quando vamos entrar [no espaço onde estão] eles fazem muito barulho. Sabem que serão alimentados", afirma. Alguns primatas criaram vínculos tão próximos que já consideram Eliseu um velho amigo.

"Eu, na verdade, não sabia que viria para cá. Porque o concurso que prestamos é geral, depois que somos transferidos. Quando soube da notícia me veio um certo receio. E havia um setor específico no qual eu não queria trabalhar: a dos répteis", revela. Pois foi justamente esta a ala para a qual ele foi designado. Venceu o medo e hoje tem saudades da espécie. "Foi a que eu mais gostei até agora", explica.

PREPARO

O alimento fornecido por Eliseu e por outros cuidadores são meticulosamente preparados e pesados por uma outra equipe. "Costumo dizer que não alimentamos os animais. Nós nutrimos eles", explica a diretora Samantha.

Os responsáveis por esse serviço são Rodrigo Varella Fratine, que trabalha no setor de separação e distribuição de rações há cinco anos, e Caroline Assis Eigenheer. "Começamos muito cedo, por volta das 6h50, antes de encaminhar aos tratadores", pontua Rodrigo.

São quilos e quilos de ração, carne e folhas ou vegetais destinados aos animais. Caroline é zootecnista e explicou ao JC que a cozinha tem três funcionários responsáveis pelo setor. Ela está trabalha na instituição há cerca de dois meses e admite: é uma grande correria, mas que no final das contas vale o suor.

EDUCAÇÃO

Para muito além dos tradicionais cursos de férias e outros projetos internos do local, O Zoológico é também palco de muita pesquisa e aprendizagem. Juliane Vasconcelos Lima veio de Fortaleza, no Ceará, para fazer um estágio de um mês no Zoo.

"Eu já conhecia pelas redes sociais e sabia da importância do Zoológico. E também conhecia um veterinário daqui. Mandei todos os documentos, pedi uma chance e consegui", revela. Ela se forma em 2025 e não esconde o ânimo com o trabalho que vem pela frente. Na quinta-feira, quando o JC esteve no local, era o primeiro dia de trabalho de Juliana.

E avisar a família não foi um problema. "Nunca gostei de ficar parada e meus pais sabem disso. Tanto que abraçaram a ideia de cruzar o País", prossegue.

Juliane Vasconcelos veio do Ceará para fazer estágio de um mês no Zoológico