O médico infectologista e diretor da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB/Unesp) Carlos Magno Fortaleza alerta que mortes causadas por dengue ocorrem em razão da falta de identificação dos sinais de alarme da doença, que indicam nível de gravidade de cada caso. Segundo o especialista, 95% dos óbitos por dengue são evitáveis quando há a correta identificação dos sinais da gravidade do quadro e hidratação adequada.
De acordo com ele, a Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica a gravidade da dengue em quatro categorias: A, B, C e D, e, conforme a classificação, que é feita pelo médico, é possível direcionar o paciente para o tratamento mais apropriado.
O médico ressalta que a pessoa que se enquadra no grupo A, após avaliação, pode ir para casa. "O paciente classificado no grupo B precisa receber hidratação vigorosa, ir para a casa, e ser acompanhado diariamente na Unidade Básica de Saúde (UBS)", declara. Já pacientes do grupo C, segundo ele, têm indicação de internação e, os do grupo D, precisam seguir para Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
"Para o manejo apropriado do paciente com dengue, os profissionais de saúde devem se atentar para os sinais de alarme. Eles apontarão para uma gravidade do caso, o que exige internação e hidratação vigorosa por, no mínimo, 48 horas", explica Fortaleza.
"A dengue faz com que os vasos sanguíneos fiquem permeáveis, semelhantes a uma peneira. Há vazamento de líquidos destes vasos nos tecidos ao redor. Com isso, a pressão cai, o sangue não chega aos órgãos nobres e o paciente pode vir a óbito por falha de múltiplos órgãos".
O especialista orienta a população a procurar atendimento médico em caso de sintomas como febre alta, dor de cabeça, dor no fundo dos olhos, dores musculares, manchas vermelhas na pele, cansaço e indisposição.