10 de julho de 2026
61 CASOS

Dengue: Bauru tem 200 casos suspeitos e 3 mortes sob investigação só neste ano

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Somados os casos, as unidades de saúde públicas e privadas de Bauru têm atendido em média dez pessoas com sintomas da doença por dia desde o início do ano

O ano de 2024 começou em Bauru com elevado número de casos suspeitos de dengue, inclusive com três mortes em investigação. Segundo a Secretaria de Saúde, até 23 de janeiro foram registrados 61 casos da doença. O diagnóstico de outros 201 pacientes está em análise, bem como o de três que morreram.

Somados os casos, as unidades de saúde públicas e privadas de Bauru têm atendido em média dez pessoas com sintomas da doença por dia desde o início do ano. A elevação da demanda por atendimento médico já é sentida nas redes pública e privada da cidade, que estão recebendo pacientes em número maior que o habitual.

"No início do ano, tivemos casos de diarreia provocada por quadro viral, mas isso já passou. Agora, o aumento dos atendimentos decorre principalmente da dengue. Consideramos que podemos estar no início de uma epidemia", comenta a médica infectologista Maristela Pastore, que atende tanto pessoas que dependem do SUS quanto quem possui plano de saúde.

O alerta para o risco de uma epidemia de dengue ainda mais severa que a de 2023 — em Bauru, foram 14.351 casos e 14 mortes — começou a ser dado por autoridades de saúde ainda naquele ano devido ao ressurgimento do sorotipo 3 no Brasil, que há mais de 15 anos não causa epidemias da doença no País.

SOROTIPO 3

A retomada de sua circulação se deu inicialmente na região Norte, porém até o fim de 2023 14 casos já haviam sido detectados no Estado de São Paulo: em Votuporanga, Valentim Gentil, São José do Rio Preto e na Capital.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, em 2024, há registro, até o momento, de um caso de dengue pelo sorotipo 3, em Votuporanga. Vale destacar, contudo, que o número pode ser maior, já que nem todas as amostras coletadas são encaminhadas para análise e identificação do tipo do vírus.

"Neste ano, assim como em 2019, quando Bauru teve sua pior epidemia de dengue (com 26.250 casos e 42 mortes), os pacientes têm apresentado o quadro clássico da doença, mas com queda abrupta de plaquetas. Alguns chegam em nível crítico e, mesmo quando não apresentam sintomas muito graves, precisam ser internados, já que o número baixo de plaquetas é fator de risco para o desenvolvimento de dengue hemorrágica", esclarece Maristela.

O retorno do sorotipo 3 é perigoso por causa da baixa imunidade da população. Isso ocorre porque o vírus da dengue possui quatro sorotipos e, quando um indivíduo é infectado por um deles, adquire imunidade contra este específico, mas ainda fica suscetível aos demais.

Neste caso, existe o risco do desenvolvimento grave da doença, mais frequente em pessoas que já foram infectadas e contraem dengue novamente, por outro sorotipo. "Porém, mesmo na primeira infecção, pode haver queda de plaquetas", acrescenta.

VACINAÇÃO

Uma solução para conter a alta de casos de dengue seria a vacinação em massa da população, mas provavelmente, esta operação não será possível em 2024. A partir de fevereiro, o Ministério da Saúde irá distribuir doses da Qdenga, produzidas pelo laboratório Takeda, destinadas à imunização de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em 521 municípios, inseridos em regiões consideradas endêmicas para a doença.

Até o momento, a pasta recebeu 757 mil doses, com previsão de disponibilizar 5,2 milhões delas até o fim deste ano. Considerando que o esquema vacinal é de duas doses, com intervalo de três meses, 2,6 milhões de pessoas deverão ser imunizadas até o último dia de dezembro, de um total de 147,7 milhões de habitantes entre 4 e 60 anos, público para o qual a vacina é indicada. Em Bauru, quase 300 mil moradores fazem parte desta faixa etária. Desde que não sejam gestantes, lactantes, imunossuprimidos ou alérgicos a algum componente da Qdenga, esses pacientes podem recorrer a serviços privados de vacinação, que, na cidade, comercializam cada dose a uma média de R$ 370,00 a R$ 400,00.