09 de julho de 2026
BAURU

Munícipes reclamam de Ecoponto de Bauru com “montanhas” de resíduos

Por Bruno Freitas | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Willian Gustavo Pereira/Divulgação
Ecoponto Redentor/Geisel estava assim neste final de semana

A maioria dos ecopontos de Bauru, neste início do ano, não está dando conta da demanda de descarte de resíduos e as unidades estão ficando abarrotadas. Ao menos é essa a queixa de munícipes que procuram a reportagem para relatar o problema. Um deles é Willian Gustavo Pereira, morador das proximidades do Ecoponto Redentor/Geisel. Segundo ele, que registrou fotos neste final de semana, o volume é tão grande que quase passa a altura do teto da edificação situada no local.

"Gostaria de compartilhar com vocês a indignação a respeito da situação desse Ecoponto (Redentor/Geisel), encontrada na manhã deste domingo (14). Segundo funcionários do local, não houve retirada do material por parte da Semma durante toda semana", reclama.

Willian Pereira acrescenta que esta situação já vem acontecendo ao longo dos últimos meses, mas neste final de semana a situação ficou, segundo ele, "deplorável", em estado de abandono. "Um verdadeiro descaso com a população e com os funcionários do local", finaliza.

A Prefeitura de Bauru cita que isso acontece devido ao aumento recente de volume descartado da população.

RESPOSTA

A Secretaria do Meio Ambiente (Semma), através do Departamento de Ações e Recursos Ambientais (Dara), informou que as coletas estão sendo feitas pela Emdurb, que em alguns casos tem recebido apoio da Semma. Segundo a pasta, alguns Ecopontos estão sendo limpos com caminhões da Semma e outros por caminhões da Emdurb, porém, não está sendo suficiente para dar conta de todo o material, que teve um aumento significativo no fim de 2023 e a primeira quinzena de janeiro de 2024.

A Secretaria do Meio Ambiente cita ainda que mutirões foram feitos neste fim de semana e a coleta continuaria nesta segunda (15), com previsão de retirada do material do Ecoponto do Redentor.

A Secretaria também informa que está em tratativas  com a Emdurb para o  cumprimento  do  contrato junto aos Ecopontos e reforçará as equipes para apoiar e regularizar a situação o quanto  antes. O não cumprimento será descontado do contrato com a empresa municipal. "A Semma está trabalhando  internamente para um novo modelo de contrato, em parceria com as cooperativas, para que situações semelhantes não se repitam, e tudo  se regularize o mais rápido  possível", informa.

A Emdurb segue com o cronograma de abertura de licitação no dia 17 de janeiro para locação de novos caminhões, com o objetivo de aumentar o fluxo de atendimento a todos os Ecopontos da cidade.


MUDANÇA

As cooperativas de recicláveis de Bauru não podem mais recolher os materiais descartados nos Ecopontos desde 6 de dezembro passado, um dia após uma audiência pública realizada na Câmara Municipal justamente para discutir a situação das organizações de catadores em Bauru. Na ocasião, Gislaine Magrini, titular da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), pasta que contratou a Emdurb para gerir os Ecopontos, tomou conhecimento de que a retirada não era realizada pela empresa pública e considerou a prática irregular.

"Não constava em contrato que este era um serviço das cooperativas", comenta a secretária. Ela informa que, desde então, a Emdurb assumiu a distribuição diária dos materiais, feita de forma proporcional à capacidade de triagem de cada cooperativa e obedecendo, também, critérios de logística (proximidade). "Temos um diálogo próximo com as cooperativas e, todos os dias, cada uma assina um relatório para que possamos nos balizar sobre o que está sendo entregue e o que ela é capaz de receber", afirmou Magrini.

Gisele Moretti, presidente da Cooperativa Ecologicamente Correta de Materiais Reciclaveis de Bauru (Coopeco), afirmou ao JC, em dezembro, que "a Emdurb não tem caminhões e mão de obra suficientes, além de não ter expertise sobre como organizar os materiais. E encerra o expediente às 17h, sendo que os Ecopontos funcionam até 19h. Muitos materiais ficam parados nestes locais de um dia para outro, o que favorece invasões".