09 de julho de 2026
RESÍDUOS

Emdurb amplia coleta de recicláveis em 2023, mas volume ainda é irrisório

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Joabe Guaranha/Prefeitura de Bauru/Divulgação
Donizete do Carmo, presidente da Emdurb: dobro de viagens

A Emdurb encerrou o ano de 2023 com aumento de 60% no volume de materiais recicláveis coletados em Bauru e, segundo a empresa pública, o principal motivo para esta alta foi o acúmulo de papelão descartado pelas ruas da cidade. Conforme o JC divulgou no final do ano passado, a queda do preço deste produto no mercado levou ao desinteresse em massa de catadores por fazer a recolha e venda do item.

Apesar do aumento, o volume de recicláveis separados e colocados na rua pela população para coleta pública ainda é muito pequeno frente ao que uma cidade de 379 mil habitantes produz. Para se ter uma ideia, a Emdurb coleta cerca de 300 toneladas diárias de lixo orgânico.

O desinteresse pelo papelão foi detectado durante o segundo semestre de 2023 e, desde então, o trabalho foi assumido pela Emdurb. Com isso, no ano fechado, a empresa pública coletou 1.114,72 toneladas de recicláveis, ante a 694,27 toneladas em 2022. "Temos dois caminhões e, para se ter ideia, até agosto de 2023, fazíamos duas viagens pela manhã e duas à tarde. Agora, estamos fazendo oito, ou seja, o dobro", revela o presidente Donizete do Carmo dos Santos.

Segundo ele, a mudança ocorreu porque, até outubro do ano passado, as empresas especializadas em reciclagem pagavam R$ 1,00 aos catadores, em média, pelo quilo do papelão, valor que caiu para R$ 0,20 nos dias atuais. "Não sabemos o motivo, mas estas oscilações são comuns neste mercado. Quando há redução, a Emdurb recolhe e, quando aumenta, os atravessadores passam nos bairros antes dos nossos caminhões, mesmo nos lugares em que a coleta é às 6h. É praticamente impossível impedir que isso ocorra", explica.

'TÍMIDA'

Para o vereador Coronel Meira, que acompanha e participa das discussões sobre o manejo de resíduos sólidos em Bauru, o número alcançado pela empresa pública é tímido. "O volume é menor do que o registrado em 2020 (primeiro ano de pandemia de Covid-19 na cidade), de 1.639,29 toneladas. São cerca de 500 toneladas a menos, muito pouco diante daquilo que é produzido diariamente", lamenta.

Donizete do Carmo dos Santos pondera que as 1.114,72 toneladas contabilizadas no ano passado não consideram o montante os materiais arrecadados nos nove Ecopontos da cidade, nem o que as quatro cooperativas de Bauru e catadores não vinculados a elas coletam por conta própria.

Porém, sem mecanismos de controle, parece distante a possibilidade de o município aferir, de forma minimamente precisa, a quantidade de materiais recicláveis que ainda é destinada ao aterro sanitário, por não ter sido separada do lixo orgânico pela população.

Uma fonte ouvida pelo Jornal da Cidade estimou que o desperdício fique entre 25% a 35% de todo o material reciclável produzido diariamente na cidade.

Fosse possível comprovar este cálculo, a administração municipal estaria cumprindo, então, o Plano Municipal de Resíduos Sólidos, que tinha como meta até 2022 o reaproveitamento de ao menos 40,8% do total de materiais recicláveis gerados pelo município.

FALHAS

Apesar de a Emdurb afirmar que, com dois caminhões de coleta seletiva, tem condições de recolher todos os materiais deixados pelos moradores dos bairros atendidos conforme cronograma estabelecido pela empresa pública, há quem esteja descontente com o serviço. Com certa frequência, o Jornal da Cidade tem recebido queixas por falha na recolha dos recicláveis e a mais recente foi feita na noite desta sexta-feira.

Segundo Amarildo Bertolini, 61 anos, morador do Jardim Panorama, bairro cuja coleta deveria ocorrer às sextas-feiras, o caminhão da Emdurb não passou na rua Benedito Moreira Pinto nem no dia 5, nem no dia 12. "A gente liga para eles e absolutamente ninguém atende o telefone. A gente, como cidadão, faz um esforço danado para separar o lixo e colocar para a coleta no dia combinado, mas a Emdurb, não faz a parte dela", lamenta, acrescentando que os vizinhos também estão enfrentando a mesma dificuldade.

No mês passado, o JC também tomou conhecimento sobre reclamações semelhantes. Uma moradora do Jardim Petrópolis, que preferiu não se identificar, contou que a coleta seletiva não havia sido feita pela terceira semana seguida em sua rua. "E eles nem atendem mais telefone", contou, reforçando que a denúncia de Bertolini não é pontual. Também em dezembro, outra moradora relatou que os caminhões têm recolhido os materiais apenas uma vez ao mês.