O corpo do piloto Sérgio Roberto Alonso, 74 anos, que morreu neste sábado (6) na queda de um planador às margens da rodovia Marechal Rondon (SP-300), na altura do quilômetro 298, entre Lençóis Paulista e Areiópolis, está sendo velado neste domingo (7) no Memorial de Botucatu, na rua General Telles, 2.150, Centro. A previsão é de que o velório termine às 22h. Na sequência, haverá uma cerimônia de cremação. Casado, Alonso era natural de Santos e deixa esposa e dois filhos.
O escritório de advocacia Riedel de Figueiredo Advogados Associados, do qual ele era sócio, publicou em sua página no Facebook uma nota de pesar pela morte do advogado. Na postagem, Alonso é definido como "profissional extremamente atuante, astuto e criativo" e um "aventureiro nas horas vagas".
De acordo com a nota, o advogado era um "profissional de notável saber jurídico", que costumava brincar ao se definir como um "agitador, desde a época da escola". "Isso porque nunca deixou de defender suas opiniões e, no meio jurídico, teses inovadoras, resultando em jurisprudências para a aviação", ressalta a publicação.
"Foi um profissional extremamente atuante, astuto e criativo, que muito contribuiu para nosso escritório ao longo de mais de 50 anos. Aventureiro nas horas vagas, seja voando em seu planador ou, anos atrás, quando praticava hipismo, ele deixará saudades e muitos ensinamentos pessoais e profissionais aos que tiveram a honra de conhecê-lo".
O escritório lembra que, além de piloto de planador e especialista em Direito Aeronáutico, ele atuou nos maiores acidentes aéreos do país, como os da TAM, em 1996, e da GOL, em 2006, ganhando a imprensa nacional, registrando seu nome na advocacia brasileira, e tornando-se grande referência no Brasil, e também no mundo, na área de direito aeronáutico.
"Solidarizamo-nos com os familiares e amigos neste momento de dor e consternação, e desejamos força a todos nesse momento de luto", finaliza a nota.
O acidente
A queda do planador pilotado pelo advogado, do Aeroclube de Bauru, ocorreu por volta das 14h de sábado (6). A reportagem apurou que ele era piloto desde 1973 e tinha larga experiência em planadores, inclusive no equipamento acidentado.
Segundo o registro policial, populares viram quando a aeronave supostamente chocou-se contra torre de energia elétrica e caiu em uma plantação de cana-de-açúcar. A Polícia Militar (PM) foi acionada e, no local, encontrou destroços da aeronave.
O Corpo de Bombeiros de Lençóis Paulista retirou Alonso sem vida do planador. A Polícia Científica foi chamada para fazer a perícia e o corpo do piloto foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) de Bauru para realização de exame necroscópico.
A ocorrência foi registrada no Plantão Polo Regional da Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru como morte acidental e será investigada pela Polícia Civil.
Uma perícia também foi feita no local por técnicos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) para apurar as circunstâncias da queda.
Marília Mendonça
Alonso atuou como representante jurídico da família de Geraldo Martins, piloto da cantora Marília Mendonça. Os dois e outras três pessoas morreram em um acidente aéreo em novembro de 2021. Em maio do ano passado, o advogado concedeu entrevista a órgãos de imprensa de todo o Brasil comentando o laudo final da investigação sobre o acidente. O relatório não apontou responsabilidades.
Na ocasião da entrevista, Alonso afirmou que o documento da Aeronáutica era favorável ao seu cliente e confirmava a tese de que o avião teria batido por falta de sinalização dos cabos de energia da linha de transmissão de uma companhia energética de Minas Gerais. Além da cantora e do piloto, morreram na queda do avião o produtor Henrique Bahia, o assessor e tio de Marília, Abiceli Silveira Dias Filho, e o copiloto Tarciso Pessoa Viana.