09 de julho de 2026
DICAS

Para abrir o apetite ao novo


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Quem nunca ouviu um adulto falando que não gosta de comer frutas, verduras e legumes ou que tem paladar infantil? Infelizmente, os alimentos mais nutritivos são os mais rejeitados por adultos ou crianças. O paladar começa a ser formado ainda no feto, a partir da 8ª semana de gestação, com o desenvolvimento das papilas gustativas.

O bebê engole o líquido amniótico, que é saborizado de acordo com a alimentação da mãe. Por isso, desde então é importante a diversidade de alimentos ingeridos por ela, contendo todos os sabores: doce, salgado, amargo, azedo e o umami (quinto gosto básico do paladar humano).

"O bebê tem mais predisposição a gostar do sabor doce, por alguns motivos. O primeiro motivo é por conta do leite materno, que é mais doce. Outra teoria é que o sabor indica maiores quantidades de carboidrato, dando mais energia",  explica a nutricionista Priscilla Primi.

A língua é o principal órgão do paladar, nela são encontradas estruturas chamadas de botões gustativos, responsáveis pela percepção de sabores. Os receptores gustativos são estimulados pelas substâncias químicas dos alimentos, que desencadeiam o impulso nervoso que será interpretado pelo sistema nervoso central, mais precisamente as áreas do córtex gustatório primário, na ínsula, e o córtex orbital, acima dos olhos, associados à resposta a quaisquer estímulos agradáveis, não só de comida.

Quer dizer que a preferência por certa comida vai muito além do gosto, mas também das emoções envolvidas. A aversão ao amargo, comum entre crianças e muitos adultos, teria uma explicação evolutiva, visto que o sabor é lembrado como veneno ou algo tóxico. Mas não é definitivo.

"O paladar é ensinável e moldável. Não é porque a gente não gosta de alguma coisa que é para sempre. Podemos dar diferentes estímulos para que isso se modifique. Na vida adulta, essa mudança ocorre, principalmente, quando começa a vida social. Outras pessoas acabam estimulando a experiência de sabores novos. A bebida alcoólica, por exemplo, acaba sendo associada a um ambiente agradável e festivo. O cérebro então reinterpreta o gosto amargo como algo prazeroso. É o mesmo com o café", explica Primi.

Assim, o primeiro passo é tornar o momento de inserir um novo alimento na dieta algo agradável, num clima bom, com outras comidas que já sejam consideradas gostosas.

A especialista lembra que a estimulação do paladar é como um hábito, não se pode desistir de cara. É tentando, insistindo, que começa uma mudança no estilo de vida, buscando comer alimentos mais saudáveis, como frutas, verduras e legumes, e deixando de lado os doces, as frituras e os ultraprocessados.

Primi diz que é normal ter certas preferências alimentares e não gostar, por exemplo, de chuchu. O que não pode acontecer é deixar de comer o grupo alimentar inteiro, como nenhuma hortaliça, ou nenhum tipo de fruta ou verdura.

PALADAR

O paladar é formado em grande parte pelo hábito. Famílias que comem muito doce, futuramente, podem ter problemas como diabetes. O mesmo vale para o sal, com a hipertensão. E a partir dos 60 anos há redução de papilas gustativas, por isso idosos sentem menos sabor.