09 de julho de 2026
ENTREVISTA

Entrevista da semana: Marcelo Malacrida de Morais, gestor de comunicação pública

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Arquivo pessoal
Em congresso da União Nacional dos Legisladores e Legislativos, em Salvador, como presidente da Astral

Com mais de três décadas de atuação em comunicação, Marcelo Malacrida de Morais, 49 anos, é, desde 2011, diretor desta área na Câmara Municipal de Bauru. No período à frente da equipe - formada hoje, por 15 profissionais - que compõe a TV Câmara, a Rádio Câmara e o portal www.bauru.sp.leg.br, ele liderou diversas mudanças que resultaram no salto de qualidade da comunicação institucional do Poder Legislativo local.

Entre elas, está a implantação da Rádio Câmara, a primeira fora de capitais no País, e do site. Nascido em Fernandópolis, na infância, Malacrida foi um menino com dificuldades nos estudos, mas, quando descobriu a comunicação, ainda na adolescência, teve a vida transformada. Já como servidor público da Câmara, abraçou a tarefa de promover transparência e democratizar a informação para que cidadãos sejam, cada vez mais, politicamente instruídos.

Com licenciatura em história, Malacrida foi professor nesta disciplina por um curto período na Escola Estadual Azarias Leite. Foi, ainda, membro da diretoria da Associação Brasileira de Televisões e Rádios Legislativas (Astral), da qual foi presidente entre 2020 e 2021.

Nesta entrevista, o diretor relembra sua infância, a forma ocasional em que ingressou na comunicação, fala sobre os desafios enfrentados e o trabalho realizado para aprimorar o diálogo da Câmara com a população. Leia, abaixo, os principais trechos.

JC - Você viveu muito tempo em Fernandópolis?

Malacrida - Meu pai era barrageiro, construía usinas hidrelétricas, e morava com minha mãe em Iturama (MG), onde não tinha hospital. Então, nasci em Fernandópolis e lá fomos morar porque meu pai foi contratado pela Cesp. Mas, em 1981, não havia mais projeto de construção, meu pai perdeu o emprego e viemos para Bauru, porque havia sondagem, no governo Paulo Maluf, de que tinha petróleo em Piratininga. Com as perfurações, das quais meu pai participou, descobriram as águas quentes de Piratininga. Quando o Franco Montoro assumiu o governo, meu pai perdeu o emprego novamente e acabou sendo admitido na Cesp de Bauru.

JC - Como foi sua infância e em que momento começou a trabalhar?

Malacrida - Foi maravilhosa. Vivia na rua, jogando bola, andando de bicicleta. Fiz o ensino fundamental e médio no Ernesto Monte, mas não gostava de estudar. Fiz cursinho no Objetivo, com bolsa de estudos como jogador de futebol de salão do Preve, até que um amigo do meu pai, diretor comercial da TV FR Paulista, do apresentador e deputado federal Fausto Rocha, que estava sendo implantada em Bauru, me chamou para trabalhar lá como operador de master. Eu tinha 17 anos.

JC - E conseguiu conciliar os estudos com o trabalho?

Malacrida - Eu trabalhava de madrugada e não havia condições de conciliar com o cursinho. Comecei em agosto de 1992 e, em meados de 1993, a TV foi vendida e passou a ser São Paulo Centro, com a proposta de fazer jornalismo. Foi um projeto gigantesco. Eu não queria mais trabalhar de madrugada, tinha muita vontade de aprender e fui ser editor de jornalismo. Eu me apaixonei. Acho que a comunicação me descobriu, era tudo o que eu queria fazer para o resto da vida. Pouco depois de ter completado 18 anos, fui ser supervisor operacional, função que exerci até 1997.

JC - Depois disso, foi trabalhar onde?

Malacrida - Passei no concurso da Câmara para ser editor de imagem e, com um grupo pequeno de profissionais, implantar a TV Câmara em Bauru. Entramos no ar em março de 1998 e, no mesmo ano, o prefeito Antônio Izzo Filho foi cassado, com todo o processo transmitido pela TV Câmara, que teve protagonismo nessa história. Ela transformou o telespectador em cidadão, que passou a acompanhar os trabalhos na Câmara sem edição. Trabalhamos com poucos recursos durante anos, porque não havia consciência sobre a importância de investir em comunicação institucional, mas conseguimos evoluir.

JC - Como foi assumir a diretoria de comunicação da instituição?

Malacrida - Eu era supervisor de imagem e, em 2011, assumi a diretoria. Comecei a ir para a rua, fazer matéria para mostrar o potencial que tínhamos, enquanto conduzia a reestruturação tecnológica da TV. Um ano antes, já tinha escrito um projeto de lei para criar mais um cargo de jornalista, de editor de TV e operador de master, e fui no gabinete de cada vereador. Em 2010, os profissionais foram contratados. Em 2013, mesmo ano em colocamos a TV no sinal aberto, o site foi implantado e, em 2019, reformulado como um portal. Tivemos o convite da coordenação da Rede Legislativa de Rádio e TV da Câmara dos Deputados para implantar a rádio em Bauru e, em março de 2015, ela estava no ar. Foi a primeira fora das capitais federais no País e já recebemos mais de 30 cidades para conhecer o projeto, além de eu já ter ido a outras para dar palestra.

JC - O que avalia ser fundamental para permanecer no cargo há mais de dez anos?

Malacrida - Ser um servidor de carreira que anda no caminho certo, mesmo que a pressão seja no sentido contrário. Transito bem em todos os setores e gosto do que faço. É uma realização de vida, porque, tirando os problemas de gestão, não me sinto trabalhando, eu me divirto. E não gosto de ficar parado. Recentemente, compramos drone, acabamos de comprar cinco câmeras novas para o plenário, instalamos um backdrop (painel) no saguão para a imprensa fazer entrevistas, estamos investindo em publicidade. E os resultados têm sido muito bons. É nossa missão dar transparência aos trabalhos realizados pela Câmara.

JC - Quando não está trabalhando, o que gosta de fazer?

Malacrida - Gosto de fazer coisas simples, como churrasco com cerveja com os amigos, ficar em casa, estar com a família, fazer minhas caminhadas, ir à praia nas férias para recarregar as energias. Também gosto de academia, mas tive um problema na coluna em 2019 e pretendo voltar em 2024. Atividade física me ajuda a pensar, a resolver problemas.


Malacrida (à direita) com a irmã Vanessa; a mãe Marlene; a sobrinha Maria Clara; o filho Pedro; e a esposa Camila

Com a equipe da TV e da Rádio Câmara, em sessão solene comemorativa aos 25 anos da TV