Tudo se fez urgente. Quase sempre estamos atrasados. Parece que o tempo diminuiu ou nossas tarefas diárias tenham sido aumentadas. Passou rápido demais. De repente é Natal.
Se este período do ano induz à solidariedade, elevação dos pensamentos e aproximação (presencial) das pessoas, ele também autoriza a reflexão de que tenhamos sido acometidos de individualismo, sem percebermos ações precipitadas e abduzidos pelo mundo virtual.
A espera é elemento construtivo do tempo. Antes, quando esperávamos, o Natal era mais enfeitado. Casas e monumentos eram iluminados. Os presépios atraiam multidões. Coisas em extinção. Hoje, a decoração do shopping é o que vemos nos "posts".
Não esperamos mais, o presente. As comidas das datas especiais passaram a fazer parte do dia a dia. Os abraços, em tempos de tecnologia, são representados por "likes". Mesmo reunidos, cada qual não desgruda do celular.
Se concebemos Natal como celebração de um nascimento que nos assegura tantos renascimentos, oportuno relembrar os ensinamentos do Aniversariante. Tudo se resume em: "amar ao próximo como a si mesmo". Ninguém precisa ir às igrejas para viver isso.
O exercício do amor requer entendimentos, perdões, reaproximações e, talvez, possa reajustar nossos relógios. O desperdício do tempo é que lhe resume. Selecionar prioridades e situar-se na realidade (resistindo ao virtual) poderá reacender as luzes do Natal, devolver graças aos presentes e valor às presenças.
2024 somente será diferente se o presépio não estiver presepado.
Seja tempo, então, de arrumarmos as bagunças interiores para estarmos aptos à recepção das visitas. Deixemos as pessoas entrarem em nossos corações. Saúde, paz e prosperidade são meras consequências.
Tudo passa pelo amor.