09 de julho de 2026
OPINIÃO

O menino sorveteiro e sua mãe

Por Adalgizo W Martins Ferreira |
| Tempo de leitura: 2 min

No final da década de oitenta morei uns três anos em Fortaleza, somente trinta anos depois é que consegui voltar àquela bela cidade nordestina capital do Ceará. Viajamos eu, minha esposa e um casal de amigos quase da nossa faixa etária.

Lá ficamos uns dez dias na maravilhosa Praia do Futuro, local que mais frequentava quando lá morei. Nos hospedamos num hotel próximo à barraca do Chico do Caranguejo e todos os dias íamos conhecendo outras barracas. Certo dia estávamos na barraca América do Sol, local também muito movimentado, em certo momento resolvi entrar no mar, bastava descer uma pequena rampa e pronto, era só desfrutar daquele mar de águas mornas e onda frequentes.

Passados alguns minutos, resolvi sair e foi quando percebi que estava um pouco fora do local onde entrei no mar, tentei sair com água na cintura, mas sempre que ficava em pé vinha uma onda e me derrubava pra frente, quando a água retornava e ficava em pé, vinha outra onda e me derrubava outra vez.

Logo notei que estava em perigo de afogamento. Devido a várias quedas, já sem forças, não conseguia mais me levantar. Foi quando ouvi uma voz de menino a me chamar, "Senhor, Senhor... dá-me tua mão" e a voz se repetiu por umas três vezes, até que compreendi e levantei a mão que foi segura com firmeza pelo menino e assim pude sair cambaleando da água.

Dando alguns passos mesmo ainda meio grogue, perguntei ao menino: - quem falou para você ir me ajudar? Ele respondeu: - minha mãe, e logo se aproximou de um carrinho de sorvetes onde sua mãe o aguardava.

Fui até onde estava minha esposa com os amigos e peguei minha carteira e fui ao carrinho com intenção de comprar sorvetes e agraciar ao menino por ter me ajudado. Foi em vão, eles não estavam mais no local.

Alguns dias depois, refletindo sobre esse fato... caí em prantos ao compreender e concluir que eu é que devia dizer "Senhor, Senhor, dá-me tua mão" e, no entanto, foi o menino sorveteiro (Jesus) que me pediu a mão a pedido de sua mãe sorveteira, Maria.