09 de julho de 2026
LANÇAMENTO

Olhar feminino e de Bauru na Flip

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Arquivo pessoal
Renata Machado lança a obra 'Todas as coisas que já não são minhas'

A seleção de microcontos da escritora bauruense Renata Machado também foi lançada na Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, no último sábado (25), na mesa 'Poética da Finitude: a morte na literatura'. O evento, considerado um dos principais festivais literários do Brasil e da América do Sul, foi encerrado no domingo (26). A obra "Todas as coisas que já não são minhas", da Editora Mireveja, trata da passagem do tempo e de tudo o que há de poético e sutil nas coisas que vão nos deixando ao longo da vida.

Com linguagem contemporânea e com o olhar sobre a mulher nos dias de hoje, a autora cria um inventário das marcas impressas no corpo e nas lembranças: as mãos que parecem ganhar rugas de um dia para o outro, as datas especiais que deixaram lembranças, os objetos trincados que nos exigem ainda mais cuidado, os amores antigos, a partida de amigos, a infância impregnada no quarto da filha que cresceu.

São cerca de quarenta narrativas que "formam um livro sobre as percepções cotidianas e singelas das perdas", diz Renata Machado, cujo livro foi lançado em setembro na Sem Limites. O mergulho pelo espaço-tempo de uma existência faz com que a obra dialogue com leitoras e leitores, jovens ou mais velhos. Em sua escrita, a autora nos mostra a importância de colocarmos nossa história em perspectiva: as memórias latentes, a finitude das coisas e o envelhecer são temas com os quais Renata tem familiaridade, seja pela maturidade que alcançou, seja por sua trajetória como psicóloga (ela foi professora de Psicologia da Morte na Unesp-Bauru nos anos 1990 e, hoje, atua como terapeuta do luto).

Projeto gráfico diferenciado "Todas as coisas que já não são minhas" conta também com um projeto gráfico diferenciado, assinado pela designer Cintia Belloc, que, num jogo de textos e páginas em branco, buscou materializar a experiência da ausência, uma das ideias centrais da obra.

O formato, menor que o convencional (14 cm x 17 cm), traz ainda a delicadeza que as filigranas de cada narrativa exigem. A inexistência de títulos em todo o livro complementa a ideia e deixa o leitor imerso "num vazio abarrotado de sentido", como diz o texto de quarta capa da obra. "Todas as coisas que já não são minhas" foi lançado pela Mireveja, editora de Bauru que marcou presença na Flip e tem se destacado na publicação de autores e temas locais.

Renata Machado nasceu e vive em Bauru e também é autora dos livros "Tardes secretas" (1996), "Noroeste" (2006) e "Aos que me foram caros e alguns mais baratinhos" (2016). E já se enveredou pela dramaturgia, com as peças "O menino minguado, filho da lua cheia" (Prêmio Oswald de Andrade), "Insônia" e "Londrina, Zona Paraíso". Em 2020 integrou a coletânea "O vazio não está nem quando é silêncio: vozes femininas na literatura", publicado pela Mireveja.