A Argentina vive o efeito Orloff ao contrário, em que parece simular o que aconteceu no Brasil cinco anos atrás. A boa surpresa da vitória parcial de Sergio Massa no primeiro turno dá esperança para o decurso democrático da transmissão de poder, ainda que carregue todo o peso do peronismo e da economia em frangalhos. A dúvida é saber para qual lado vão os votos da candidata de direita Patricia Bullrich, aparentemente correspondente à parcela de indecisos para o segundo turno.
Havia a expectativa de que ela se propusesse a gesto nobre, como foi o de Simone Tebet aqui, ainda que haja um abismo entre as propostas dela e as de Massa. Mas vimos que não, e ela passou a defender o extremista, ainda que seus eleitores não a acompanharam. A questão está de sinal trocado, com reais chances de Javier Milei ainda vencer. A apreensão continua por mais alguns dias.
Nesse sentido foi com surpresa a leitura da coluna de Deirdre Nansen McCloskey na Folha de S. Paulo em que ela avalia a escolha argentina. Ela não escreve em português e creio que Luiz Roberto M. Gonçalves seja um bom tradutor e a arrogância e contradição da articulista já estavam explícitas no texto original. Um coluna que mal é lida se arvora em ser conselheira dos brasileiros na escolha do presidente! Ninguém obedeceu à articulista, como ela afirmou ao dizer que assim foi feito quando ela indicou o voto em Lula no segundo turno aqui, em 2022.
Nós apenas defenestramos, ainda que por pouca margem, o neofascista pré-golpista da Presidência do país. Nós é que temos de tapar o nariz por saber que a articulista é fã do equivalente e piorado bolsonarento argentino.