11 de julho de 2026
MISTÉRIO

Vereadora Estela aciona polícia para investigar possível invasão de seu computador

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Divulgação
Computador de Estela Almagro, na Câmara

A manhã desta terça-feira (31) registra mais um capítulo na tenebrosa história de denúncia de monitoramento da vida privada de pessoas da política e da imprensa em Bauru, que veio a público na última semana. A vereadora Estela Almagro (PT) acionou a polícia, por volta de 9h, logo após abrir seu computador e se deparar com uma foto de Walmir Vitorelli como 'papel de parede' de sua máquina. Vitorelli é apontado por um hacker atualmente preso (Patrick da Silva Brito) como sendo a pessoa que lhe contratou para que investigasse a vida privada de Estela e do jornalista Nelson Itaberá.

Chamou a atenção a movimentação policial na sede do Poder Legislativo bauruense nesta manhã. Delegado e peritos da Polícia Civil estiveram no local e o computador de Estela foi levado para ser averiguado. O consultor jurídico, Arildo Lima Junior, e o chefe de TI da Câmara Municipal constataram os fatos e acompanharam toda a movimentação. 

Estela informa ainda que as câmeras de monitoramento do corredor onde fica seu gabinete estavam queimadas, por isso pode não ser possível descobrir se alguém mexeu em seu computador. A princípio, atribui-se os danos nas câmeras ao temporal do último domingo. Mas, segundo a vereadora, apenas as câmeras do corredor dela não estavam funcionando.

O assessor da vereadora informou que uma nova câmera foi instalada ainda na manhã desta terça-feira.

Câmeras de segurança do Legislativo poderiam ter capturado um possível invasor no local, mas o equipamento estava queimado 


AMEAÇA

A petista conta já ter sido vítima de outras invasões devido à sua postura combativa no Legislativo. Desta vez, no entanto, ela vê uma ameaça explícita e considera o uso de segurança. “Vou discutir com meus advogados a necessidade de garantir escolta policial. Nunca tive que chegar neste ponto e relutei até agora, mas esse episódio do gabinete parece tentar mostrar que não estou protegida”, afirma.

A vereadora aponta que o ataque a ela representa, também, uma tentativa de intimidação à Câmara. “É um ataque ao poder. A mensagem vinda dos adversários é clara: se você me desagradar, eu te calo. E quando você silencia um vereador, você enfraquece todo Poder Legislativo”, ressalta.

SUSPEITA

De acordo com o relato de Estela, seu assessor deixou o gabinete por volta das 20h da segunda-feira (30), após o fim da sessão ordinária. Ele teria deixado tudo em ordem antes de retornar, na manhã de hoje, e encontrar o rosto de Walmir estampado no computador. A vereadora se reuniu com outros membros da Casa para comunicar o acontecimento. Além disso,  a TV Câmara esteve no local para registrar imagens do papel de parede. 

A primeira suspeita foi que algum erro técnico acabou por definir a imagem como papel de parede. A hipótese, no entanto, foi descartada. O assessor foi até a delegacia para registrar um Boletim de Ocorrência.  Os agentes lacraram a sala e recolheram o dispositivo de armazenamento da máquina.

A perita criminal recolheu o SSD (responsável pelo armazenamento de dados) do computador