10 de julho de 2026
CÂMARA CRITICA

Presidente da Câmara compara UPAs e UBSs de Bauru a ‘depósitos de gente’

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Foto exibida pelo vereador Júnior Rodrigues mostra situação de ar-condicionado no PSC; vereador comparou equipamento ao ‘Frankenstein’, monstro da literatura

Em um duro discurso na tribuna da Câmara Municipal, nesta segunda-feira (16), o vereador Júnior Rodrigues (PSD), presidente da Casa de Leis, comparou as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Bauru a um "depósito de gente".

A manifestação do presidente vem na esteira de uma enxurrada de críticas que parlamentares têm recebido de usuários do serviço público de saúde no município.

Apesar dos sucessivos recordes de calor que Bauru enfrenta nas últimas semanas, unidades de saúde em geral seguem sem ares-condicionados e falta de insumos básicos.

"Eu recebi bastante ligação neste final de semana de pessoas que estavam no Pronto-Socorro (PS) Central. E eu já vinha percorrendo algumas unidades como a do Mary Dota, do Nova Esperança. E o problema do ar-condicionado continua existindo", criticou o parlamentar.

O vereador afirmou também que ares-condicionados são hoje uma necessidade da população e que unidades de saúde que não têm o equipamento estão em situação de insalubridade.

"Nos nossos gabinetes há ar-condicionado. Nas salas dos secretários a mesma coisa. Mas a gente chega nas UPAs e nas UBSs e vemos a situação precária", disparou.

Júnior mostrou uma série de fotografias que tirou durante a fiscalização nas unidades que evidenciam o problema.

Uma delas mostra uma sala de cerca de dois metros quadrados que é usada pelo médico plantonista da unidade. "Não tem ar-condicionado, não tem janela. Parece uma cela de penitenciária. E o ventilador ainda precisa ser levado de casa", destacou.

O presidente também visitou a ala de pacientes do PS Central, onde há dois ares-condicionados e nenhum dos quais em funcionamento. "No meio deles há um ventilador de teto que balança mais do que bêbado. Esse ventilador vai cair", alertou.

"Ali não é um depósito de gente, não é um almoxarifado de pessoas", prosseguiu.

Rodrigues ilustrou as críticas com reportagens do JC de 2021 nas quais ele cobrava manutenção dos prédios públicos, especialmente na Saúde, e ressaltou que pouco ou nada avançou desde então.

"Entrou o Orlando [vice-prefeito, ex-titular da Saúde] e saiu o Orlando. Depois entrou e saiu a Alana [Burgo, ex-secretária]. Mas a situação continuou a mesma. O mesmo problema do ar-condicionado. Não sei o que acontece para a gente não conseguir resolver isso".

Júnior lembrou também que conseguiu apoio de igrejas para reformas e instalação de novos ares-condicionados, mas que a falta de manutenção das unidades prejudica o esforço. "Não há monitoramento preventivo. Lógico que os equipamentos vão estragar", criticou.

O discurso de Júnior Rodrigues abriu uma série de apontamentos feitos pelos parlamentares na sessão de ontem. O vereador Coronel Meira (União Brasil), por exemplo, lembrou da situação precária que Bauru vivencia quando o assunto é saúde primária.

"Em Bauru temos apenas 18 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), o que é muito pouco para uma cidade do nosso porte. Isso fora as equipes das Unidades de Saúde da Família, que fazem acompanhamento periódico nos pacientes. Temos apenas 13 equipes. E proporcionalmente deveríamos ter pelo menos 100 equipes", apontou.

O vereador Guilherme Berriel (MDB) seguiu a mesma linha. E defendeu que a transferência da ala de psiquiatria da UPA da Vila Ipiranga seja feita com urgência. "A situação está insustentável", disse.

O emedebista também afirmou que o problema dos ares-condicionados revela há uma postura de incompetência da Secretaria de Saúde de Bauru, que possui dezenas desses equipamentos nos almoxarifados desde o ano passado e que seguem pendentes de instalação até hoje.

Neste momento, o vereador Serginho Brum (PDT) pediu a palavra e disse que os equipamentos adquiridos não são compatíveis com o sistema de fiação elétrica das unidades. "Se for trocar, vai precisar mudar toda a fiação", apontou o pedetista. "Estamos perdidos", respondeu Berriel. "Como se compra ar-condicionado sem saber se há compatibilidade?", indagou.