A antiga Santa Casa de Bauru, entidade sem fins lucrativos e que geriu o Hospital de Base até meados de 1977, pode voltar à ativa para administrar o futuro Hospital Municipal, projeto da prefeita Suéllen Rosim (PSD) cuja estruturação já está em fase avançada.
A informação foi confirmada nesta quarta-feira (11) pelo vereador Coronel Meira (União Brasil), que participa das negociações, durante entrevista ao programa Cidade 360.º, uma parceria entre o JC e a 96FM.
Segundo Meira, a ideia é formalizar à diretoria da Santa Casa a proposta para gerir o hospital. A medida beneficiaria a prefeitura, diz o parlamentar, uma vez que a entidade não precisaria manter todo o atendimento sob o Sistema Único de Saúde (SUS) - o que reduziria o custo ao erário público.
"Essa é a melhor solução. As Santas Casas podem reservar 30% da unidade hospitalar para atendimento particular, gerando receita própria", destaca Meira. Para ele, a arrecadação dos tratamentos privados pode reduzir o custo da instituição em até R$ 1 milhão.
Há também programas de incentivo às Santas Casas em São Paulo e no próprio Governo Federal, que destinam recursos a essas instituições.
Como se trata de uma entidade filantrópica com sede em Bauru, neste caso não haveria necessidade de se promover uma concorrência, como um chamamento público, por exemplo. O governo já se reuniu com a diretoria da Santa Casa para ensaiar a proposta, mas até agora não há nada definido, segundo o JC apurou.
Na entrevista, Meira também reafirmou o avanço nas negociações entre a Prefeitura de Bauru e a Universidade Nove de Julho (Uninove), de quem o governo tem pelo menos R$ 15 milhões para receber como contrapartida ao fornecimento de estágio a estudantes da Faculdade de Medicina da instituição.
Como noticiou o JC na terça (10), a prefeita Suéllen Rosim aposta no valor a ser liberado pela Uninove para custear a estrutura do futuro hospital. A administração cobra da universidade as demonstrações contábeis sobre o faturamento do curso de Medicina que não eram apresentadas desde 2020.
A medida é uma obrigação da Uninove em razão de um convênio firmado com a prefeitura quando da abertura da faculdade, em 2017.
O contrato prevê o fornecimento da estrutura da rede municipal de saúde, como Unidades Básicas (UBS) e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), para que estudantes da universidade consigam fazer estágio ao longo do curso.
A universidade, em contrapartida, deveria repassar 10% do faturamento anual do curso como verba de investimento à Saúde de Bauru. O convênio tem validade de seis anos e está prestes a vencer - mas o governo até hoje não recebeu os recursos.
Na segunda-feira (9), a prefeita e o vereador Meira chegaram a se reunir em São Paulo com a diretoria da universidade e avançaram nas negociações pela liberação do valor. "Trata-se do cumprimento da lei", afirmou Suéllen Rosim ao JC na segunda.