08 de julho de 2026
TURISMO

Ilha de Necker: vida de bilionário

Por Paulo Passos |
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Destino é acessível somente após muitas horas de voo

Dois anos após chegar ao espaço, Richard Branson, 73 anos, está em casa. Ou em uma delas, na ilha de Necker, rodeada pelo mar azul-turquesa do Caribe. Numa terça-feira ensolarada, o bilionário aparece para tomar café da manhã no salão da Great House, a maior construção da propriedade de 30 hectares, nas Ilhas Virgens Britânicas.

Às 7h35, de short florido, camiseta branca e tênis surrado, de quem se diz dependente de atividades físicas, ele cumprimenta os funcionários do seu "hotel/ilha/lar" pelo nome.

Antes, jogou tênis, leu e ditou emails para a secretária. Durante cinco dias, o midiático empresário inglês apresentou para este repórter e para outros quatro jornalistas um de seus sonhos extravagantes que viraram realidade.

A ilha comprada em 1979 foi transformada num hotel de luxo, mas não só isso. É lá que o empresário recebe políticos, empresários e celebridades.

Barack Obama precisava de paz e descanso em 2017 após oito anos como presidente dos EUA? Pois teve isso na ilha, seu primeiro destino após deixar a Casa Branca. Lady Di seguiu o mesmo caminho na virada de 1989 para 1990, quando, sem o então marido, o hoje rei Charles, tentou (mas não conseguiu) fugir dos paparazzi.

A lista de famosos é extensa: Nelson Mandela, Bill Gates, Kate Moss e Jimmy Carter, entre tantos que aparecem em fotos nas áreas comuns do hotel.

O local reúne histórias que o dono e seus funcionários adoram contar. A mais antiga é a da compra, em 1979. Um ano antes, o então jovem empresário dono de gravadora e rede de lojas de disco soube que uma ilha estava à venda no país que tinha o mesmo nome de sua empresa, Virgin.

Ele foi até Necker com sua namorada, a quem queria impressionar, admite. Ofereceu US$ 100 mil, proposta recusada pelo proprietário, que pediu US$ 6 milhões. Um ano depois, o dono, em dificuldade financeira, procurou Branson e aceitou a oferta de US$ 180.000, com a condição de que um hotel fosse construído.

A namorada, Joan Templeman, virou esposa, e o casamento foi festejado na ilha 11 anos após aquela viagem de 1978. Outros matrimônios, de amigos do empresário, foram celebrados no hotel, como o do também bilionário e cofundador do Google Larry Page, em 2007.

Branson prefere as extravagâncias, tais como tentar dar a volta ao mundo de balão, voar para o espaço, ter uma ilha e fazer dela um negócio. Antes de o bilionário chegar, Necker era só mais um paraíso perdido no Caribe. A paisagem que encanta, a vista para o mar turquesa de temperatura agradável e a atmosfera de oásis já estavam lá. As digitais do dono vieram depois e ficaram por toda a parte.

Uma delas é a pegada sustentável, com toda a contradição de ser um destino acessível somente após muitas horas de voo, principalmente em jatinhos privados queimando querosene no ar. Não há voos comerciais diretos do Brasil para Tortola, capital das Ilhas Virgens Britânicas. O caminho mais prático, com uma conexão, é por Miami. Qualquer outra opção, seja por Panamá, Colômbia, Republica Dominicana, terá, no mínimo, duas paradas.

De longe, é possível diferenciar a ilha das outras pelas duas gigantes turbinas eólicas instaladas. Elas e os 1.230 painéis solares garantem 90% da energia do local. Na chegada, num deque rosa, o estafe orienta pelo exemplo: o hotel é de luxo, mas estamos numa ilha, e o dress code é de roupas leves, bermuda, camiseta e chinelos ou tênis.

* O jornalista viajou a convite da Virgin Limited Edition