Com uma forma descontraída de ensinar francês, a bauruense Janaina Oliveira Schmidt, 44 anos, mais conhecida na Internet como Jana Schmidt, já conquistou mais de 300 mil seguidores em seus perfis do Instagram, YouTube, TikTok e Facebook. Fundadora do projeto "Francês com Mademoiselle", ela também oferece cursos online, além de treinamentos para empresas, contabilizando mais de 4 mil alunos.
Tamanho sucesso só foi alcançado a partir de uma "virada de chave", em 2008, quando Jana viajou a Paris. Lá, encantou-se com o modo de vida francês e a língua nativa e voltou para casa com a certeza de que iria aprender o idioma.
Desde então, as conquistas foram se somando. Ela, que começou a carreira como professora de violão e proprietária de uma escola de música em Bauru, quando ainda morava com os pais, João e Maria da Graça, foi autodidata no processo de aprendizagem do idioma europeu e formou-se professora de francês pela Universidade de Quebec.
Morou em Bauru até 2010, quando mudou o rumo de sua carreira, e vive há 13 anos em Campinas com o marido Carlos Eduardo e a filha Valentina, 4 anos. Nesta entrevista, Jana relembra sua trajetória com a música em Bauru, inclusive como cantora, conta detalhes sobre a primeira viagem a Paris e revela como aprendeu francês sozinha, desenvolveu um método próprio de ensino e descobriu na Internet uma forma de difundir conhecimento. Leia, abaixo, os principais trechos.
JC - Que lembranças você tem da infância e adolescência em Bauru?
Jana - Morei na Vila Giunta, na rua Bernardino de Campos, que, na década de 1980, era muito tranquila. Jogava bets na porta de casa. Meus pais moram lá até hoje. Na minha juventude, passeava muito na Getúlio Vargas. Ia à boate Quoruns, no Sandália de Prata, Armazén. Eu me formei em administração de empresas na ITE e, nesse tempo, conheci a maior parte dos meus melhores amigos. Dava aulas de violão para ter dinheiro para ir às festas de república, barzinho. Eu era da balada.
JC - O que te motivou a aprender a tocar violão?
Jana - Fui a uma festa de aniversário e fiquei encantada com um moço cantando e tocando. Eu tinha 10 anos, minha mãe comprou um violão e fui aprender com as Irmãs Mantovani, na Bernardino de Campos. Com 12 anos, comecei a ensinar alguns vizinhos e, aos 14, já estava cobrando um dinheirinho para dar aulas. Em 2003, depois de concluir administração, aluguei uma sala no CSU e comecei a ensinar violão popular. Fiquei lá até 2006, quando aluguei uma casa na Cussy Júnior e fundei a Escola de Música Primeiros Acordes. Eu dava aulas de violão e tinha professores de outros instrumentos. Só fechei a escola em 2010, quando fui morar em Campinas, depois de ser pedida em casamento.
JC - Nesta época, além de dar aulas, você também fez voz e violão em bares de Bauru, correto?
Jana - Sim. Tive influência musical em casa porque meu pai foi trovador, cantava em baile, compunha. E, de 2005 a 2010, fiz apresentações como Janaina Oliveira. Tocava MPB e músicas da Alanis Morissette, The Corrs, Janis Joplin. Toquei muito no Bar Imprensa, no Deck, e cantava em banda de baile. A galera gostava bastante.
JC - Nesse meio tempo, você já estava estudando francês?
Jana - Comecei a estudar em 2008. Eu tinha curiosidade em conhecer o mundo, viajar. Fui guardando dinheiro, vendi um Fiesta que eu tinha, financiado, e fui para Paris com um amigo, o Gustavo, no fim de 2008. Eu fiquei apaixonada, mesmo despreparada para aquele frio de menos 3 graus. Depois, conhecemos Bruxelas e outras cidades da Bélgica, além de Londres, mas eu só ficava pensando quando teria oportunidade de voltar a Paris. Eu não sabia inglês nem francês e fiquei muito frustrada por não conseguir me comunicar, porque sou muito falante. Assim que cheguei de viagem, mesmo endividada, me matriculei em uma escola de francês. No começo, foi legal, porque não sabia nada e comecei a aprender alguma coisa. Mas, alguns meses depois, percebi que aquele não era o caminho e resolvi aprender sozinha. Comecei a ver vídeos e filmes e estudar livros didáticos. Não consigo explicar, mas sabia que aprender francês ia ser a virada de chave da minha vida. E foi o que aconteceu. Foi um idioma que abriu minha cabeça, me fez querer ir além, estudar arte, visitar museus. E falar francês me permitiu conhecer outros países e voltar à França mais vezes.
JC - Quando começou a dar aulas de francês?
Jana - Quando me mudei para Campinas, em 2010, comecei com os primeiros alunos. Meu marido queria fazer pós nos Estados Unidos, mas o convenci a irmos para o Canadá, em que as pessoas falam inglês e francês. Em 2011, viajamos a Montreal, na província de Quebec, visitamos uma universidade e ele adorou. Moramos em Montreal de 2012 a 2014 e, lá, fui voluntária de ONGs, o que foi maravilhoso para aprimorar meu francês. Fiz escola de inglês e cursei francês na Universidade de Quebec. Ao mesmo tempo, passei a dar aulas online para alguns alunos do Brasil e descobri que isso funcionava muito.
JC - Foi quando descobriu que poderia ensinar pela Internet?
Jana - Em 2014, quando voltei ao Brasil, comecei a fazer vídeos no YouTube para estes alunos particulares, mas deixava público, e comecei a ter muitas visualizações. Gosto de falar coisas engraçadas, ensinar de forma leve, irreverente, contando histórias, mostrando imagens, citando um filme ou uma música para contextualizar. E muita gente gosta. No Instagram e TikTok, faço vídeos mais curtos e, no YouTube, sigo com videoaulas gratuitas toda quinta-feira.
JC - Você ainda tem alunos particulares?
Jana - Sim. Além disso, em 2018, formei sociedade com a Cris Zanata e comecei a gravar e vender cursos online, de iniciantes até o completo, com conversação. Temos, ainda, a empresa FCM Treinamentos Ltda, em que fazemos aulas gravadas de francês para empresas. É uma paixão que cresceu. Hoje, somos 12 pessoas, entre professores, arte e edição, assessoria e gestão de tráfego.
Jana (ao centro) com a filha, Valentina; a cunhada, Eliane; a mãe, Maria da Graça; a sobrinha, Camila; os irmãos Glauber e Fernanda; e o pai, João
Jana Schmidt com a filha Valentina e o marido Carlos Eduardo