11 de julho de 2026
ESTELIONATO

Polícia Civil prende três suspeitos de esquema de notas frias que movimentou R$ 2,3 mi

Por Larissa Bastos |
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larissa.bastos@jcnet.com.br
Polícia Civil/Divulgação
Armas, munições e eletrônicos foram apreendidos pela Polícia Civil

Um homem e duas mulheres, suspeitos de envolvimento em um esquema de emissão de notas frias (termo usado para esses documentos feitos com o objetivo de declarar a venda de mercadorias ou a prestação de serviços que nunca existiram), foram presos temporariamente pela Polícia Civil de Bauru durante a operação Cold Paper (papel frio, em tradução livre), deflagrada na quinta-feira (5). Há ainda um quarto investigado, que está foragido.

Segundo as apurações, o grupo movimentou, aproximadamente, R$ 2,3 milhões em duplicatas em pouco mais de um ano, tendo como vítima uma grande empresa de segurança eletrônica da região de atuação nacional e internacional, que não autorizou ter o nome divulgado pela polícia.

Presidido pelo delegado Gláucio Eduardo Stocco, do Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold), vinculado à 1.ª Delegacia de Investigações Gerais (1.ª DIG), da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic), o inquérito policial iniciou há três meses, quando a companhia vítima denunciou um possível esquema fraudulento envolvendo um de seus colaboradores de “alto escalão”: um engenheiro mecânico de 42 anos, endereçado anteriormente em Garça, mas, atualmente, em São José dos Campos. Ele foi desligado da companhia.

“O modus operandi do grupo consistiria na emissão de notas fiscais pelas empresas investigadas, fornecedoras de produtos e serviços para a empresa vítima, sem a correspondente entrega que, todavia, era confirmada indevidamente pelo prestador de serviço da própria empresa vítima. Consequentemente, havia a emissão e troca das respectivas duplicatas em factorings (instituições de fomento mercantil), gerando prejuízos para a empresa vítima e também para as factorings”, detalha.

Além do engenheiro mecânico, são investigados outros três empresários, apontados como os responsáveis pela emissão das supostas notas fiscais frias: um homem de 50 anos e duas mulheres, de 53 e 21 anos, sendo pai, mãe e filha, com várias empresas em Sorocaba e Votorantim.

Diante disso, a Justiça concedeu mandados de prisão temporária em desfavor dos quatro suspeitos, bem como mandados de busca e apreensão em Garça, Sorocaba, Votorantim e São José dos Campos.

O cumprimento das ordens ocorreu na manhã desta quinta-feira (5), em ações simultâneas das equipes da Deic. Os três foram capturados e encaminhados às Cadeias Públicas de Pirajuí, onde permaneceram à disposição do Poder Judiciário. Já o homem de 50 anos não foi localizado e é considerado foragido.

Eles respondem aos possíveis crimes de estelionato, duplicata simulada, associação criminosa ou organização criminosa, crime contra a ordem tributária e lavagem de dinheiro.

Durante as buscas, também foram apreendidos quatro carros de alto valor agregado, duas pistolas calibre 9 milímetros, um revólver calibre 38, munições, notebooks, celulares e acessórios.

“Agora, as investigações prosseguem a fim de realizar os interrogatórios dos presos; análise da movimentação financeira após quebra de sigilo bancário dos suspeitos (já concedida pela Justiça), para apurar lavagem de dinheiro; e até para buscar outros funcionários de empresas que possam ter sido cooptados para integrar esquemas similares”, conclui Stocco.