09 de julho de 2026
OPINIÃO

Semear o que não tenho é possível?

Por |
| Tempo de leitura: 2 min
Agostinho Rodrigues Júnior Peregrino - Bauruense nato

Veja só. Dia desses, por volta do horário das 12h30, me atento estar passando em frente de um restaurante simples e sem luxo. Adentro a ele e procuro um lugar que oferecesse ventilação, condições para atentar as movimentações externas.

Ocupo uma mesa para quatro, ainda que estivesse só. Solicito o prato e fico a observar os transeuntes. Ora pois, mas não que de repente uma jovem atravessa a rua e chega até o vidro aonde se encontravam quatro clientes tomando suas refeições.

A jovem do lado de fora, para e fica observando as ações deles. Faz alguns gestos com a boca e mãos, aos quais decifro de maneira clara o que ela estava dizendo por gestos. Pedido ou querendo algo que eles estavam comendo, mas que, infelizmente, não lhe deram nenhuma atenção ou crédito.

Constato que sua presença ali é muito rápida, leva aproximadamente uns 2 minutos e assim se vai ela embora. Saindo da calçada e atravessando a rua sem a atenção de olhar para os lados, não demonstrando cuidado algum com os veículos que trafegavam. Eu ali, por algum tempo, aguardando a minha refeição. Então foi nesse interim que minha mente viajou, isto e, ficou a se perguntar: - Como será que ela era quando criança? Teve pai e mãe, irmãos e parentes? O que levou a estar nessa condição "pedinte de rua?" - Muitas foram as perguntas que me fiz. Entrementes, agora cá estou, refletindo sobre elas...

É de extrema importância dizer. - Sou um dos pioneiros do bairro Jardim Redentor na cidade de Bauru, fundado em 1968. Naquela época tínhamos por hábitos, sempre que algum de nós se deparasse com algum amigo na rua, e esse amigo comento ou bebendo algo, o partilhar era uma ação de desenvolvimento mútuo, muito viva e simples entre todos. Não víamos dificuldades alguma em dar ou receber um pedaço do que é que fosse ou um gole do suco ou água.

O Intrigante é que esses atos, não sabemos como eles foram germinados dentro de nós, "era como o crescer da unha - silenciosamente" sem que nos apercebêssemos alimentávamos uns aos outros como irmãos. Semeávamos o que tínhamos - a fraternidade [a harmonia e união entre aqueles que vivem em proximidade ou que lutam pela mesma causa. Laço de parentesco entre irmãos; irmandade].

Por fim, o bairro Jardim Redentor ficou fortemente entrelaçado nas vidas dos seus pioneiros como um bairro de uma família só!