09 de julho de 2026
VIVER BEM

Colesterol em criança: perigo sério que não pode ser ignorado


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Batata frita é um dos alimentos não recomendados

O infarto e o AVC estão no topo do ranking brasileiro como as principais causas de morte por doenças cardiovasculares, representando 30% dos óbitos no país. E há o risco de essa porcentagem aumentar nos próximos anos devido ao crescimento significativo de crianças e adolescentes com colesterol alto.

Segundo uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais, uma em cada quatro crianças brasileiras tem alteração nos níveis de colesterol. E um estudo realizado pela West Virginia University (EUA), reforça a importância de todas as pessoas terem os níveis da substância no sangue avaliados desde a infância e, se necessário, elas devem ser medicadas o quanto antes.

A pesquisa mostrou que mais de 1% das crianças do 5º ano do ensino fundamental, com idades entre 10 e 11 anos, apresentaram colesterol alto, e um terço dessas não tinha histórico na família. Para a pediatra Fernanda Perez, diretora médica do Grupo Prontobaby, o aumento do problema na infância se deve principalmente a três fatores: alimentação rica em gorduras, excesso de peso e sedentarismo.

No entanto, algumas crianças e adolescentes terão alterações, mesmo seguindo uma dieta saudável, devido à predisposição genética. Vale ressaltar que o LDL é a fração ruim (do colesterol) e pode se depositar na parede dos vasos sanguíneos, formando placas e iniciando inflamações, podendo causar infarto ou AVC. Já o HDL, que consideramos bom, remove o colesterol dos vasos, levando-o de volta para o fígado, de onde será eliminado - explica a especialista.

Quando pensamos em níveis elevados de colesterol, a primeira coisa que vem à mente são comidas ricas em gordura, como batata frita e hambúrguer. Eles realmente são vilões, mas há outros alimentos ricos em gordura e cujo consumo em excesso também deve ser evitado, como biscoitos recheados, bolos, chocolate, sorvete, refrigerante e ultra processados em geral.

Devemos nos preocupar com os rótulos dos alimentos, porque sinalizam quando há gordura saturada. Desde a infância, é importante variar o cardápio com verduras, legumes, frutas, peixe, frango, leite e queijo branco sem gordura - orienta Fernanda.

O colesterol em crianças deve ser inferior a 170 mg/dl, com o LDL abaixo de 100, e o HDL acima de 35. Se ela apresenta alterações nesses níveis, é importante ajustar a alimentação e estimular a prática de atividades físicas para evitar o sedentarismo.

A criança sedentária e com alimentação ruim, que apresenta altos índices de colesterol, pode se tornar um adulto obeso, com risco de doença cardiovascular e infarto. Isso também vale para aqueles que têm dislipidemia (níveis elevados de gorduras no sangue) genética - alerta a pediatra Fernanda Perez.

Por isso, é importante que pais se conscientizem sobre a importância de manter uma alimentação balanceada, além haver educação nas escolas e creches, iniciativas com pediatras para orientar as famílias e propagandas em televisão aberta para conseguir atingir o maior número de famílias. Vale lembrar que crianças de 2 a 8 anos com diagnóstico de diabetes, obesidade ou que tenham pais com histórico de doença cardíaca ou colesterol alto precisam acompanhar as taxas de glicose e colesterol regularmente. O exame também deve ser solicitado pelo pediatra a todas as crianças entre 9 e 12 anos, antes da puberdade.

Como nos adultos, a doença também não mostra sintomas nas crianças. Mas alguns sinais podem ser observados, como nódulos em volta dos olhos e nas pálpebras. Por isso, reforçamos a tese do acompanhamento pediátrico - afirma Fernanda.