08 de julho de 2026
VIDA DIGITAL

Inteligência Artificial a serviço das universidades

Por Emerson Vicente |
| Tempo de leitura: 5 min
Freepik
Estudo tem procurado identificar, a partir dos sinais elétricos gerados pelo cérebro, qual emoção a pessoa estava sentindo

O uso da Inteligência Artificial (IA) em trabalhos e pesquisas passaram a fazer parte do cotidiano das universidades públicas no País. Eles são voltados para as mais diversas áreas, como agro, saúde e astronomia. Alguns têm potencial de influenciar diretamente na vida da população nos próximos anos.

Uma das iniciativas é o trabalho que está sendo desenvolvido na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por meio do doutorado da engenheira de produção Daniela Castro Araújo. Com o uso da IA, ela está trabalhando em um estudo em que será possível a detecção precoce do câncer de mama por meio de um exame de sangue.

O modelo não substitui a mamografia, segundo a pesquisadora. "Mamografia é o padrão ouro para rastreamento. O único problema é que ela não é acessível para todo o mundo. O que a nossa ferramenta faz é uma estratificação de risco personalizada."

A ferramenta entrou na fase em que os pesquisadores chamam de "mundo real". Estão sendo feitos testes com algumas operadoras de saúde buscando mulheres que já estão em atraso com o exame da mamografia, segundo a pesquisadora. Não há uma previsão de quando o serviço estará disponível para o público.

Na área do agro, um estudo na Universidade Federal de Mato Grosso, em parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso e demais instituições, está desenvolvendo uma ferramenta em que o agricultor poderá fazer a pesagem do gado por meio de uma fotografia tirada com o celular.

Foram realizados modelos matemáticos a partir de medidas morfométricas, com a ideia de predizer as informações da carcaça do animal. "As grandes propriedades já têm balança, mas o pequeno e o médio produtor não tem, o que dificulta essa informação mais técnica",  diz Geovanne Ferreira Rebouças, doutor em zootecnia e professor do IFMT.

A pesquisa ainda está na etapa de coleta de imagens dos animais. A tendência é que no segundo semestre de 2024 o aplicativo entre na fase de testes para validação.

Um outro estudo tem procurado identificar, a partir dos sinais elétricos gerados pelo cérebro, qual emoção a pessoa estava sentindo, com uma classificação que inclui, por exemplo, tristeza, alegria, espanto e dor. Ele está sendo desenvolvido na Universidade Federal de Lavras.

O trabalho começou como uma pesquisa de dissertação de mestrado do engenheiro Vancley Oliveira Simão. Os pesquisadores treinaram alguns métodos de Inteligência Artificial para que o sistema identificasse qual emoção a pessoa estava sentindo.

Eles usaram um banco de dados já existente em um laboratório nos Estados Unidos. Os sinais são captados através de uma touca colocada na cabeça da pessoa. Segundo William Soares Lacerda, professor do Departamento de Automática da Escola de Engenharia da UFLA, o acerto foi de aproximadamente 90%.

Na Unesp, uma pesquisa voltada para a astronomia já rendeu prêmio aos pesquisadores. Eles desenvolveram uma metodologia capaz de diminuir a análise de um asteroide, que poderia demorar meses, para apenas alguns segundos.

Com o uso da IA, foram testadas três redes neurais artificiais distintas para analisar a dinâmica dos asteroides. Com esse trabalho, foi possível reduzir o tempo de análise e também permitir a identificação de famílias jovens de asteroides.

Esse trabalho rendeu o prêmio por "Métodos computacionais inovadores em dinâmica astronômica" no 8º Encontro Internacional de mecânica Celeste. A cerimônia de premiação vai ocorrer em setembro, na Itália.

Apesar dos avanços na tecnologia, os pesquisadores dizem que faltam pessoas preparadas para trabalhar com a Inteligência Artificial. "Quem está trabalhando, está aprendendo. Quem de fato domina são técnicos da área de informática, pois é algo mais natural para eles. Porém é necessário a composição de equipes multidisciplinares para sanar essa carência", diz Geovanne Ferreira Rebouças, do IFMT.

> Recursos energéticos
Por meio do Departamento de Geologia, a Universidade Federal do Ceará adquiriu um software que permitirá que grupos de pesquisa desenvolvam estudos relacionados à exploração de recursos energéticos e armazenamento de CO2 usando algoritmos de Inteligência Artificial.
> Câncer de mama
A Universidade Federal de Minas Gerais está desenvolvendo um trabalho, por meio a IA, onde será capaz a detecção precoce do câncer de mama por meio de exames de sangue. A pesquisa está em testes e o ob jetivo é que o exame seja disponibilizado no SUS futuramente.
> Análise de emoções
Pesquisadores da Universidade Federal de Lavras desenvolveram uma metodologia capaz de fornecer mecanismos de classificação automática de emoções. Por meio da IA, foi possível identificar, a partir dos sinais elétricos gerados pelo cérebro, qual emoção a pessoa estava sentindo, como tristeza, alegria, espanto e dor.
> Focos de incêndios
A Universidade de Brasília criou o projeto SemFogo, que identifica focos de incêndio no cerrado por meio das quatro câmeras instaladas em uma torre. O processo, que era manual, levava dez minutos. Com o recurso criado por meio da IA, a análise é feita em 90 segundos.
> Peso de bovinos por imagem
Pesquisa na Universidade Federal do Mato Grosso trabalha no desenvolvimento de um aplicativo onde será possível o pecuarista fazer a pesagem de bovinos por meio de uma foto tirada pelo celular.
> Risco de perda dentária
Projeto de pesquisa coordenado pela Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul está desenvolvendo um programa que identifica indivíduos com alto e baixo risco de perda dentária. São usadas variáveis sociodemográficas por meio de bancos de dados já existentes.
> Diagnóstico de depressão
Pesquisadores da USP estão usando a IA e a rede social Twitter para criar modelos de predição de ansiedade e depressão, podendo ajudar no diagnóstico da doença. Os resultados apontam se é possível identificar o risco com base na rede social de amigos e seguidores, sem levar em conta as postagens do indivíduo.